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sexta-feira, 08/05/2026

Dólar cai pouco com foco na paz entre EUA e Irã

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O dólar começou o dia em leve queda nesta sexta-feira (8), com os investidores atentos às negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, que buscam encerrar um conflito que já dura mais de dois meses.

Por volta das 9h11, a moeda americana registrava queda de 0,22%, sendo negociada a R$ 4,9120. No dia anterior, o dólar tinha fechado em alta de 0,05%, a R$ 4,922, enquanto a Bolsa de Valores do Brasil caiu 2,38%, fechando em 183.218 pontos.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sentiu o impacto de resultados financeiros, especialmente do banco Bradesco, e também a incerteza causada pelas negociações entre EUA e Irã.

Durante o dia, as ações do Bradesco e da Petrobras contribuíram para a queda do Ibovespa, com quedas de 4,25% e 2,26% respectivamente. O desempenho da Petrobras acompanhou a volatilidade dos preços do petróleo, que chegaram a cair mais de 5% no ponto mais baixo do dia.

Embora o Bradesco tenha mostrado lucro de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre, seu balanço destacou alguns pontos preocupantes, como crescimento acelerado e maior exposição a segmentos mais voláteis, conforme relatório da XP.

Na política, chamou atenção o encontro entre o presidente brasileiro Lula (PT) e o ex-presidente dos EUA Donald Trump na Casa Branca, que durou cerca de três horas. Trump declarou nas redes sociais que a reunião com o líder brasileiro foi muito positiva e discutiram comércio e tarifas.

Lula buscava avançar em um acordo contra o crime organizado e debater questões tarifárias.

Enquanto isso, as negociações entre os EUA e o Irã seguem instáveis. Um porta-voz do Paquistão disse que os dois países estão próximos de um acordo, mas ainda há incertezas. O possível pacto incluiria o fim do conflito, o desbloqueio do estreito de Hormuz e um período de 30 dias para negociações mais amplas.

O presidente Trump alertou que, se o Irã não aceitar os termos, os bombardeios podem aumentar em intensidade.

As oscilações nas negociações afetaram os mercados financeiros. Nos EUA, os índices Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones fecharam em queda. No mercado de petróleo, o Brent caiu 0,64%, enquanto o WTI teve alta de 0,47% no final do dia.

Segundo o analista Bruno Cordeiro, da StoneX, a queda no preço do petróleo refletiu as menores expectativas de um acordo rápido que restabeleça o fluxo no estreito de Hormuz.

O diretor Marcos Praça, da Zero Markets Brasil, disse que o mercado enfrentou um dia de alta volatilidade devido às negociações no Oriente Médio, que inicialmente geraram otimismo, mas depois deram lugar à cautela.

O conflito no Oriente Médio afeta o mercado porque o estreito de Hormuz é uma rota essencial para cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás, e um bloqueio gera medo de alta global nos preços, aumentando a inflação.

No Brasil, o efeito do conflito é misto: o real e a Bolsa são beneficiados pela posição do país, longe da crise, mas a alta do petróleo pode causar fuga dos investidores de ativos mais arriscados para os considerados mais seguros.

O especialista Bruno Shahini, da Nomad, comentou que o mercado vinha esperando uma redução das tensões, mas que um possível piora pode causar quedas nas Bolsas e valorização do dólar.

Ele destacou que os preços atuais já refletem um possível declínio do preço do petróleo, mas que o risco é de a crise persistir e os preços continuarem altos, o que aumentaria a pressão sobre o mercado brasileiro.

Para o Brasil, mercado emergente, um agravamento do conflito significaria dólar mais caro, aumento da taxa de juros e queda na Bolsa de Valores.

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