Mensagens enviadas pela mulher presa depois de tentar ferir um cabeleireiro com uma faca em um salão na Barra Funda, em São Paulo, mostram que ela já tinha ameaçado o profissional semanas antes do ataque, que aconteceu na terça-feira, dia 5.
Diálogos compartilhados pela advogada do cabeleireiro Eduardo Ferrare nas redes sociais revelam xingamentos e ameaças enviadas via WhatsApp após a cliente reclamar do corte de cabelo.
“Minha vontade era de ir aí e colocar fogo em você”, escreveu a mulher em 14 de abril. Em outra mensagem, ela chamou o cabeleireiro de “viado desgraçado” e disse que ele cortou seu cabelo sem sua permissão. Ela também reclamou que o cabelo ficou muito ralo, parecendo corte químico.
A advogada de Ferrare, Quecia Montino, disse que as mensagens indicam que o ataque foi planejado. Nas redes sociais, a defesa comentou que a cliente não tentou resolver o problema de forma pacífica e passou a agir agressivamente depois que o salão recusou devolver o dinheiro pago.
Segundo o salão, a mulher esteve lá em 7 de abril para fazer mechas no cabelo. Ela queria ficar “extremamente loira”, mas foi orientada a escolher a técnica “morena iluminada”, que é mais segura para o cabelo.
O salão também falou que indicou tratamentos e um corte para proteger os fios, mas a cliente recusou porque não queria pagar a mais. Por isso, só as mechas foram feitas.
Um mês depois, a mulher voltou para reclamar do resultado e pediu que o dinheiro fosse devolvido. Depois que o salão disse não, ela ficou brava e atacou o cabeleireiro com uma faca de cozinha. Câmeras de segurança gravaram o momento da agressão.
A defesa do cabeleireiro disse que a mulher contou à polícia que foi ao salão para “matar esse viado desgraçado”, o que pode indicar que o ataque teve motivação homofóbica.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e autolesão na delegacia da região e enviado para o Juizado Especial Criminal. A mulher foi presa e confessou o crime.
Nas redes sociais, Eduardo Ferrare criticou a repercussão do caso e disse que se sente desamparado. “Mesmo depois de uma tentativa de assassinato, temos que ver a impunidade acontecendo”, afirmou.
