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sábado, 18/04/2026

Dólar cai a R$ 4,98 após reabertura do Estreito de Ormuz

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A queda do risco geopolítico e o aumento da esperança por um acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio, com o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, fizeram o dólar cair globalmente nesta sexta-feira, 17. No Brasil, o dólar chegou a bater o piso de R$ 4,95 pela manhã, com mínima de R$ 4,9508, mas perdeu força durante a tarde e fechou em R$ 4,9833, uma queda de 0,19%.

O real perdeu um pouco o ritmo devido a uma troca entre moedas emergentes, com menos interesse por moedas ligadas ao petróleo, e à possível saída de recursos externos da bolsa brasileira, após a queda nas ações da Petrobras. Moedas como o peso chileno e o rand sul-africano avançaram mais de 0,80%.

A moeda americana encerrou a semana com queda de 0,56% no mercado local, acumulando uma baixa de 3,77% em abril, depois de uma alta de 0,87% em março. No ano, o dólar caiu 9,21% em relação ao real, que segue com os maiores ganhos entre moedas líquidas, tanto fortes quanto emergentes.

Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, explica que a valorização do real nesta sexta-feira é uma “ajustamento natural” após uma forte alta. Segundo ele, moedas de países exportadores de energia, como o Brasil, foram beneficiadas pelo aumento do petróleo devido à diminuição dos riscos.

Fonseca ressalta que mesmo com o possível fim da guerra, os efeitos sobre os preços da energia vão continuar, o que favorece moedas de países produtores e exportadores de petróleo. Ele acredita que a valorização do real pode continuar, pois o preço alto do petróleo ajuda a balança comercial e as contas públicas brasileiras.

Os preços do petróleo caíram novamente na sexta-feira, somando duas semanas seguidas de queda. O contrato do WTI para maio caiu 9,41%, para US$ 82,59 o barril, enquanto o Brent para junho, usado como referência pela Petrobras, caiu 9,06%, para US$ 90,38 o barril. No ano, o Brent já subiu cerca de 50%.

Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que durante os 10 dias do cessar-fogo entre Israel e Líbano, a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz ficará completamente aberta.

Dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que Israel está proibido de bombardear o Líbano e que o Irã teria concordado em “nunca mais fechar o Estreito de Ormuz”. No entanto, o governo iraniano indicou que pode reverter a decisão se os EUA mantiverem o bloqueio às embarcações iranianas, causando incerteza no mercado.

O índice DXY, que mostra o valor do dólar em relação a seis moedas fortes, permaneceu estável no fim da tarde, perto de 98,200 pontos, com o euro se fortalecendo. Durante a manhã, chegou a cair para 97,632 pontos. O índice caiu cerca de 0,50% na semana e mais de 1,60% no mês.

A queda do petróleo diminuiu preocupações com a inflação, abrindo espaço para possíveis cortes nos juros pelo Federal Reserve ainda este ano. O CME Group indica pouco mais de 50% de chance de o Fed reduzir a taxa básica entre 3,50% e 3,75% em dezembro.

Fonseca comenta que não espera relaxamento da política monetária nos EUA, pois a inflação deve passar de 4% em 2024 por causa do aumento nos preços da energia. Ele diz que manter os juros estagnados já é positivo para o real.

Bolsa

O Ibovespa registrou a terceira correção pequena após o recorde da última terça-feira, 14, fechando em baixa moderada de 0,55% aos 195.733,51 pontos nesta sexta-feira, 17. A mínima do dia foi de 195.367,90 pontos, a partir de uma máxima de 198.665,65 pontos.

O volume financeiro atingiu R$ 44,7 bilhões, impulsionado pela expiração de opções sobre ações.

Na semana, o Ibovespa caiu 0,81%, após três semanas de alta consecutiva, tendo subido quase 5% na semana anterior. No mês, acumulou alta de 4,41%, elevando o ganho no ano para 21,48%.

Donald Trump acompanhou positivamente o anúncio da abertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo, postando nas redes sociais que o Estreito estava totalmente aberto e pronto para navegação, referindo-se à região como “Estreito do Irã”.

As bolsas internacionais fecharam majoritariamente em alta, com otimismo de uma trégua maior no Oriente Médio. Em Nova York, o Dow Jones subiu 1,79%, o S&P 500 cresceu 1,20% e o Nasdaq avançou 1,52%.

O tráfego de navios no Estreito já vinha aumentando antes da reabertura oficial, segundo o serviço Kpler, que monitora navios. Contudo, poucas horas após a abertura, o Irã indicou que pode rever a decisão diante do bloqueio naval mantido pelos EUA, uma forma de chantagem segundo uma autoridade iraniana.

Bruna Sene, analista da Rico, avalia que a semana mudou radicalmente o clima geopolítico global, que passou de alta tensão para otimismo crescente com a possibilidade do fim do conflito no Oriente Médio. Ela lembra que o Ibovespa acumulou 11 sessões seguidas de alta e bateu 18 recordes históricos em 2026, chegando perto dos 200 mil pontos.

No Brasil, o Ibovespa ficou mais cauteloso por conta das ações da Petrobras, que caíram cerca de 7% durante o dia devido à correção nos preços internacionais do petróleo. No fechamento, as ações ON da Petrobras caíram 5,31% e as PN, 4,86%.

Outras ações que subiram foram Vale ON (+2,64%), Usiminas PNA (+3,15%), Bradesco PN (+1,97%) e empresas como Vamos (+6,27%), Direcional (+4,48%) e CSN Mineração (+3,35%). Já as ações do setor de energia sofreram perdas, como Brava (-6,28%), PetroReconcavo (-4,12%) e Braskem (-5,55%).

O mercado ajustou o otimismo na Bolsa no curto prazo, com o Termômetro Broadcast mostrando que a expectativa de alta para o Ibovespa na próxima semana caiu para 50%, a de estabilidade subiu para 37,5% e a percepção de queda apareceu em 12,5%.

Rachel de Sá, estrategista da XP, diz que a semana teve altos e baixos, com o alívio do conflito no Oriente Médio incentivando compras na B3, mas também causando correção no preço do petróleo, o que afetou negativamente a Petrobras e o Ibovespa.

Josias Bento, especialista e sócio da GT Capital, alerta que a volatilidade na Bolsa deve continuar alta no curto prazo devido ao conflito no Oriente Médio e o impacto nas commodities.

Juros

Os juros futuros na B3 fecharam a sexta-feira com forte queda, influenciados pela reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, reduzindo temores inflacionários e aumentando a expectativa de um acordo de paz entre Irã e EUA.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,051% para 13,91%. Os contratos para 2029 e 2031 também apresentaram redução, fechando em 13,16% e 13,31%, respectivamente.

Durante a tarde, as taxas caíram cerca de 15 a 20 pontos-base, mas não mantiveram as mínimas da manhã. A taxa para 2031 chegou a 13,145% no período mais baixo do dia.

Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou que a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz estará totalmente aberta durante o cessar-fogo de dez dias entre Israel e Hezbollah no Líbano, anúncio que fez o preço do petróleo desabar e o dólar cair para a mínima de R$ 4,95, além de influenciar queda nos juros.

Porém, o mercado começou a se afastar dos melhores momentos conforme o Irã condicionou a reabertura ao cumprimento do cessar-fogo e criticou o bloqueio naval dos EUA, que pode reverter a abertura.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, alerta que ainda é incerto se as transportadoras e seguradoras voltarão a operar normalmente no estreito, e que a normalização da oferta de petróleo será gradual, sem retorno imediato aos níveis pré-guerra.

Cruz também menciona que a possibilidade do Irã voltar a bloquear o estreito permanece como um risco.

Para o Brasil, o especialista prevê que a melhora no Oriente Médio terá pouco impacto na próxima decisão do Banco Central, que deve cortar a Selic em 0,25 ponto na reunião de abril do Copom.

O mercado de opções indica 75% de chance de corte de 0,25 ponto e 17% de corte maior de 0,50 ponto, com somente 4% esperando manutenção da taxa em 14,75%.

Na comparação semanal, a curva de juros se descomprimiu, especialmente nas taxas de curto e médio prazo, com queda de cerca de 15 a 20 pontos nos contratos até 2029 e cerca de 10 pontos para 2031.

Estadão Conteúdo

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