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domingo, 17/05/2026

Dívidas, guerra e juros altos dificultam crédito nos bancos

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JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O começo de 2026 trouxe um cenário complicado para os bancos do Brasil. Muitas pessoas estão com dívidas, a guerra no Irã afeta a economia, os juros estão altos e grandes empresas também enfrentam problemas. Isso faz com que os bancos tenham mais dificuldade para emprestar dinheiro e fiquem mais cautelosos ao liberar crédito, especialmente para quem tem maior risco de não pagar.

Principais bancos como Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa, Santander, Banco do Brasil e Nubank aumentaram as reservas financeiras para cobrir possíveis prejuízos com calotes no primeiro trimestre de 2026. Essas provisões somaram R$ 60,2 bilhões, o que representa um aumento de 45,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desde 2025, uma regra do Banco Central obriga os bancos a reservarem uma quantia para cobrir possíveis perdas em empréstimos atrasados, o que diminui o lucro dessas instituições.

O futuro próximo não parece promissor. Espera-se que a situação econômica piorará, fazendo com que os bancos sejam ainda mais rigorosos na hora de conceder empréstimos, desacelerando o crescimento do crédito no país.

“O cenário econômico está mais difícil, tivemos a guerra e mesmo assim estamos administrando bem os riscos”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco. Milton Maluhy Filho, do Itaú, concorda: “Começamos 2026 com necessidade de cautela e disciplina nos empréstimos”.

Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro, um recorde que iguala o pico de julho de 2022.

Eduardo Nishio, analista-chefe da Genial, comenta que alguns bancos, como Bradesco e Itaú, estão mais preocupados com o ciclo de crédito, apesar de não apresentarem alta inadimplência.

Mesmo com a renda do brasileiro aumentando, o custo de vida sobe também, o que dificulta o pagamento das dívidas. A inflação subiu em março e abril, chegando a 4,39% em 12 meses, e pode alcançar 4,91% até o final do ano. O conflito no Oriente Médio pressiona ainda mais os preços dos combustíveis.

Mario Leão, CEO do Santander, afirmou que “apesar da inflação que caiu um pouco e da economia que cresceu, a renda disponível das famílias não está melhorando”. O banco controla o aumento do custo do crédito evitando empréstimos para pessoas que ganham até dois salários mínimos (R$ 3.242).

Juros altos podem limitar cortes na taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, e há também a possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos, o que afeta a economia mundial.

Malek Zein, analista da Suno Research, diz que “os bancos repassam os juros altos no crédito, mas os tomadores estão cada vez mais difíceis de suportar esses custos”.

Programas como o Desenrola 2.0 devem ajudar pequenos devedores, mas não abrangem contas básicas como água, luz e telefone, o que reduz seu impacto.

Entre janeiro e março, a inadimplência em empréstimos para pessoas físicas subiu em quase todos os grandes bancos, exceto no Itaú, que foca na alta renda.

O Nubank controla a inadimplência em 6,5% da carteira, mas aumentou suas reservas para possíveis perdas, elevando o custo do crédito em 72% na comparação anual.

O Banco do Brasil teve o maior aumento nos atrasos de pessoas físicas, que subiram 1,7 ponto percentual, para 6,82% da carteira.

O agronegócio também apresentou dificuldades, com atrasos acima de 90 dias chegando a 6,22%, um aumento de 3,46 pontos percentuais em um ano.

Desde a queda na safra de grãos de 2024, o setor sofre com processos de recuperação judicial. No 1º trimestre de 2026, o Banco do Brasil registrou 162 clientes nessa situação.

Geovanne Tobias, diretor financeiro do Banco do Brasil, afirmou que “as recuperações judiciais continuam acontecendo, com 61 novos processos em abril somando R$ 650 milhões”.

A Caixa Econômica Federal também foi impactada pelos atrasos dos produtores rurais. Só no primeiro trimestre de 2026, 35 clientes do setor entraram em recuperação judicial e a inadimplência nessa carteira chegou a 18,29%, aumentando 14 pontos percentuais em um ano.

O aumento nas provisões para calotes se deve também ao custo maior dos insumos provocado pelos conflitos no Oriente Médio e ao risco do fenômeno climático El Niño afetar a safra deste ano.

Carlos Vieira, presidente da Caixa, comentou que “o governo federal está buscando soluções para este problema”.

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