A recente inauguração da nova sede do Instituto de Medicina Legal no Distrito Federal, realizada pelo Governo do Distrito Federal em dezembro de 2024, representa uma melhoria significativa na estrutura e na forma de atendimento do órgão. Conforme destacou o diretor adjunto, Rony Augusto Silva Faria, o principal diferencial do prédio é a humanização do atendimento, com entradas, áreas de espera e serviço diferenciados para vítimas e pessoas sob custódia.
Localizado no complexo da Polícia Civil do Distrito Federal, o edifício contou com um investimento de R$ 47,8 milhões. Com uma área de 12 mil metros quadrados, é três vezes maior que a sede anterior e possui quatro pavimentos, incluindo subsolo. A estrutura é considerada uma das maiores e mais modernas da América Latina.
O novo espaço reúne laboratórios especializados em histopatologia, toxicologia e radiologia, além de setores como antropologia forense, ambulatório de perícias em pessoas vivas, sala de necrópsia, ambulatórios de psiquiatria e sexologia forense, salas para exames corporais, cartório, arquivos, celas, áreas para armazenamento de corpos, brinquedoteca e um ambiente exclusivo para atendimento de vítimas de violência sexual.
Faria ressaltou que o novo fluxo interno ajuda a minimizar o contato entre pessoas vulneráveis e os custodiados, algo que não ocorria na antiga sede, onde vítimas, familiares e presos compartilhavam a mesma recepção. Agora, os usuários que não estão sob custódia entram por uma entrada exclusiva, enquanto os custodiados usam outra. Casos de violência sexual são atendidos em um andar reservado para garantir discrição e conforto.
Além disso, o instituto promove ações de acolhimento como consultórios ginecológicos, apoio psicológico e uma brinquedoteca para crianças atendidas. Uma funcionária chegou a criar modelos anatômicos em crochê para explicar procedimentos periciais de forma acessível e respeitosa.
No aspecto tecnológico, o IML do DF aumentou sua capacidade de análise de amostras e agora conta com o uso da inteligência artificial, em cooperação com o Instituto de Criminalística. Em situações de violência sexual, a tecnologia permite a leitura rápida das lâminas em cerca de 20 minutos, oferecendo maior precisão na identificação de espermatozoides. Isso acelera o tempo de resposta para autoridades policiais e judiciais.
Embora seja mais reconhecido por realizar necropsias, o instituto executa principalmente exames em pessoas vivas, com cerca de 50 a 55 mil exames anuais, em contraste com aproximadamente 2 mil necropsias. Faria também destacou que o trabalho envolve profissionais de 11 áreas diferentes e que a perícia é fundamental para garantir justiça.
