Por Ludmilla Oliveira
A realidade virtual vem ganhando cada vez mais espaço nos consultórios de psicologia. Essa tecnologia tem se mostrado eficaz para tratar problemas de saúde mental, conforme afirma a psicóloga Michelle Andrade, professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub). Ela falou sobre o assunto durante uma palestra no evento Conecta, na instituição.
“Com o tempo, a integração da realidade virtual com sensores de inteligência artificial vai trazer mais dados sobre o corpo”, explica.
Como é usada
Hoje, a realidade virtual ajuda em vários tratamentos, como testes psicológicos, exposições terapêuticas, treino de habilidades, simulações de situações sociais, avaliação da atenção, controle da ansiedade, fobias e estresse, além de monitorar reações do corpo.
Michelle Andrade destaca que a tecnologia ajuda os profissionais a manterem segurança e controle nos exames e tratamentos, principalmente quando é difícil criar certas situações dentro do consultório.
Além disso, a realidade virtual facilita o acesso, permite personalizar os tratamentos e pode ser mais econômica em alguns casos.
Pacientes e avatares
Um exemplo do uso da realidade virtual é no atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Segundo Michelle Andrade, a tecnologia permite ver, em tempo real, como o paciente interage com personagens virtuais chamados avatares.
Assim, é possível analisar a comunicação, cooperação, respostas sociais e movimentos do paciente, revelando detalhes que testes tradicionais não captam.
Ética e cuidado
A professora Stella Faiad, também do curso de psicologia do Ceub, alerta que é preciso ter muito cuidado ao usar essa tecnologia.
Apesar das facilidades, é essencial seguir padrões e garantir que o paciente dê consentimento para o uso e monitoramento da realidade virtual. Isso exige profissionais bem preparados e treinados.
Stella Faiad destaca: “É fundamental agir com ética e responsabilidade. A tecnologia abre muitas possibilidades, mas é preciso estar bem capacitado para oferecer um atendimento de qualidade.”
Evolução
Os primeiros simuladores sensoriais apareceram em 1950 e foram evoluindo. Nas décadas de 1980 e 1990, a realidade virtual saiu dos laboratórios para ganhar popularidade comercial.
Hoje, ela é usada na saúde mental para avaliações, treinamentos, reabilitação e pesquisas, ajudando os profissionais em várias etapas do tratamento.
Durante a palestra, foi demonstrada uma simulação em alunos voluntários que precisavam cumprir tarefas em tempo limitado.
O Nesplora é uma plataforma de psicologia que cria ambientes virtuais para medir funções como atenção, memória, controle dos impulsos e outras habilidades em crianças, adolescentes e adultos.
No teste, o participante simulava ser atendente de uma sorveteria, decorando a ordem dos pedidos, preparando-os corretamente e dentro do tempo.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira
