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sexta-feira, 17/07/2026

Diesel Russo desaparece e conflito no Irã pressiona preços no Brasil

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NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS

A interrupção nas exportações de diesel russo, junto com o recomeço das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, deve causar aumento no preço do combustível no Brasil, após um período seguido de quedas, afirmam especialistas do setor.

Esse aumento acontece justo antes do período em que o consumo de diesel cresce no país, por causa da colheita de grãos e da produção de produtos para as festas de final de ano. Embora a suspensão feita por Vladimir Putin seja temporária, o mercado teme que os efeitos durem mais tempo.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), a Rússia foi o principal fornecedor de diesel para o Brasil no primeiro semestre do ano, mas perdeu espaço para os Estados Unidos no final desse período.

A escolha dos importadores pelo diesel russo ajudava a manter os preços mais baixos: durante o primeiro semestre, cada quilo de diesel russo custou cerca de US$ 0,03 (R$ 0,15) a menos que o diesel americano.

Os dados de julho ainda não foram disponíveis, mas a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que as importações russas representam apenas 13% do total, enquanto os Estados Unidos assumem a liderança com 82%.

Para agosto, as previsões mostram que somente 10% do diesel comprado vem da Rússia, com fornecedores do Oriente Médio competindo com os Estados Unidos pelo fornecimento.

O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, comenta que as compras de agosto ainda são pequenas e podem mudar, mas atualmente não há oferta de diesel da Rússia. “As compras são feitas no Golfo com preço um pouco mais alto”, diz ele.

Ramon Reis, da importadora Nimofast, que cresceu importando diesel da Rússia, afirma: “O diesel russo não está mais disponível. Está proibido. Estamos buscando novas fontes, mas hoje não há preço competitivo nem subsídio”.

Ele destaca que a falta de competitividade das importações decorre da retomada da guerra no Irã e do aumento nos preços internacionais do petróleo, que subiram mais de 10% logo após os ataques recomeçarem.

Esse aumento começou após o governo federal reduzir parte do subsídio para o combustível. Nesta quarta-feira (15), o preço médio do diesel no Brasil estava R$ 1,81 por litro abaixo do valor de importação medido pela Abicom.

Na Petrobras, a diferença foi ainda maior: R$ 2,02 por litro. Produtores e importadores têm direito a uma subvenção de R$ 1,12 por litro, que cobre apenas parcialmente essa perda.

A Petrobras, principal beneficiária dos subsídios, reduziu o preço do diesel em suas refinarias quando o subsídio foi retirado no final de junho, para evitar aumentos nas bombas. A maior refinadora privada do país, a Acelen, seguiu a mesma estratégia dias depois.

Nenhuma das duas empresas ainda ajustou seus preços diante da recente alta do petróleo. Consultadas, elas ainda não se pronunciaram.

Nas bombas, o preço do diesel está caindo há 13 semanas seguidas, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Na semana passada, o litro do diesel S-10 custava em média R$ 6,97, abaixo de R$ 7 pela primeira vez em quatro meses.

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