24 C
Brasília
sexta-feira, 17/04/2026

Condenado por matar mãe Bernadete é morto em ação policial

Brasília
nuvens dispersas
24 ° C
24 °
24 °
70 %
0.9kmh
37 %
sáb
26 °
dom
27 °
seg
26 °
ter
27 °
qua
21 °

Em Brasília

JOÃO PEDRO PITOMBO
FOLHAPRESS

Marilio dos Santos, conhecido como Maquinista e acusado de ordenar o assassinato da líder quilombola e ialorixá Bernadete Pacífico, foi morto em uma operação policial na madrugada de quinta-feira (16), na cidade de Catu, região metropolitana de Salvador.

Ele havia sido condenado na terça-feira (14) a 29 anos e 9 meses de prisão por homicídio qualificado, com pena aumentada por motivos cruéis e por não deixar chance de defesa para a vítima. Marilio era o único entre os cinco acusados que estava foragido.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que a equipe do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar encontrou Marilio. Durante a tentativa de prisão, ele atirou contra os policiais, foi ferido e socorrido, mas não resistiu e morreu. Uma arma e munições foram encontradas com ele.

Os advogados Fábio Felsembourgh, Fábio Souza e Marcos Rudá, que defendiam Marilio, disseram estar surpresos com sua morte tão perto da condenação e lembraram que ainda era possível recorrer da sentença. Eles destacaram que a situação mostra uma resposta rápida das autoridades, que agora encerram o caso com a punição de Marilio e sua morte em confronto.

Além de Marilio dos Santos, o Tribunal do Júri também considerou culpado Arielson da Conceição Santos, acusado de executar o crime, que recebeu 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. A defesa de Arielson declarou que não concorda com a decisão e pretende recorrer.

O julgamento, que aconteceu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, durou dois dias e terminou na terça-feira (14). Durante o processo, ativistas do movimento negro e grupos quilombolas fizeram protestos pedindo justiça pela morte da ialorixá.

Mãe Bernadete foi morta em 17 de agosto de 2023, dentro da casa que servia como sede da associação quilombola na cidade de Simões Filho, região metropolitana de Salvador. Ela era coordenadora nacional da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos), morava no Quilombo Pitanga dos Palmares e liderava um terreiro de candomblé.

Segundo as investigações, o assassinato foi causado por disputas de território. Mãe Bernadete era contra a expansão do tráfico de drogas no quilombo e queria a remoção de uma barraca pertencente a Marilio dos Santos, que estava em uma área de preservação e era usada para vender drogas, conforme informou o Ministério Público.

Outras três pessoas também foram denunciadas pelo Ministério Público da Bahia e estão presas preventivamente pelo caso.

Veja Também