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sexta-feira, 17/04/2026

Impacto de classificar CV e PCC como terroristas nos EUA para mercado e turismo no Brasil

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FOLHAPRESS

Durante reuniões no FMI, em Washington, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a possibilidade dos Estados Unidos classificarem organizações criminosas como terroristas. “Não parece correto”, disse nesta sexta-feira (17). “Acredito que isso pode afetar o mercado financeiro, o turismo, e vejo isso como algo negativo.”

Nos últimos meses, o governo brasileiro tem feito esforços para impedir que os Estados Unidos anunciem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. Uma reportagem do jornal The New York Times revelou que essa possibilidade está sendo avaliada após pressão de aliados e filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, o Palácio do Planalto acredita que essa classificação poderia abrir espaço para intervenções dos EUA em solo brasileiro.

Dario Durigan ainda afirmou que essas facções não são organizações terroristas, mas sim grupos criminosos perigosos que devem ser combatidos com rigor pela lei.

A definição de terrorismo varia conforme o país. Internacionalmente, terrorismo é a prática de atos violentos contra civis para intimidar uma população ou governo, geralmente ligada a causas políticas ou religiosas.

No Brasil, segundo a Lei nº 13.260/2016, terrorismo é a prática de atos violentos por motivos de xenofobia, discriminação ou preconceito, que causem terror social e coloquem em risco pessoas ou patrimônios públicos e privados.

Recentemente, o Brasil anunciou uma parceria com os Estados Unidos para combater o tráfico de drogas e armas entre os países. A colaboração com o U.S Customs and Border Protection prevê o compartilhamento de imagens de raio-X e relatórios de inteligência sobre contêineres destinados ao Brasil.

Também, o Brasil enviará informações aos EUA sobre apreensões de armas e drogas de origem americana.

Dario Durigan destacou que uma maior cooperação, como essa iniciativa, ajudará a reduzir a entrada de armamentos no país, diminuindo assim a letalidade e violência causadas por essas organizações.

Ele também mencionou a aprovação recente da lei antifacção, que aumenta as penas para grupos criminosos e milícias, definindo-os como grupos de três ou mais pessoas com alto poder de coerção, e que foca em cortar o financiamento dessas facções.

“As penas aumentaram, os mecanismos de investigação policial melhoraram, e o presidente Lula tem ressaltado a importância da segurança pública, que é uma preocupação constante”, afirmou Dario Durigan.

O ministro negou que, durante suas agendas no FMI, alguma autoridade americana tenha discutido com a delegação brasileira a possível classificação das facções como terroristas.

“Não houve essa conversa, nem comigo nem com a equipe econômica brasileira em Washington. Tivemos diversos encontros bilaterais. Eu mesmo me reuni várias vezes com Scott Bassett, secretário do Departamento do Tesouro, e não houve qualquer questionamento ou informação sobre isso”, declarou.

O tema da segurança pública está central no debate político atual, especialmente em ano eleitoral. O governo Lula deve lançar em breve um pacote de medidas para enfrentar o crime organizado.

Essa estratégia visa fortalecer a atuação do Palácio do Planalto na área de segurança e responder às críticas relacionadas ao combate às facções criminosas. O pacote de ações está em fase de discussão e deve ser anunciado na próxima semana pelo presidente.

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