LEONARDO VIECELI E LEANDRO MACHADO
FOLHAPRESS
A população brasileira que vive sozinha mais que dobrou entre 2012 e 2025, passando de 7,5 milhões para 15,6 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse crescimento é de 109,8% em 13 anos.
O número de moradores individuais no ano passado é maior que a população de um estado como a Bahia, que tem 14,9 milhões de habitantes.
Essas informações fazem parte da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE.
Em 2025, 19,7% dos domicílios no país (79,3 milhões) eram unipessoais, ou seja, tinham apenas um morador. Isso significa que um em cada cinco lares é ocupado por uma única pessoa.
A participação dos lares unipessoais cresceu 7,5 pontos percentuais desde 2012, quando representavam 12,2% do total.
A redatora e sexóloga Laís Conter, 37 anos, escolheu morar sozinha há pouco mais de um ano na região central de São Paulo. Natural do Rio Grande do Sul, ela morou com a mãe em Porto Alegre, depois dividiu casa com o ex-marido e, após o divórcio, passou seis anos compartilhando apartamento com amigos.
“Morar sozinho é uma experiência de vida muito interessante. Quando surgiu a oportunidade, resolvi tentar”, conta.
“Quando você divide a casa, precisa se adaptar à rotina, decoração e limpeza do outro. Morando sozinho, tem-se muito mais liberdade para fazer tudo do próprio jeito”, acrescenta.
O ponto negativo, para ela, são os gastos com aluguel, condomínio e despesas da casa, que consomem mais de 30% do seu orçamento mensal. “A prioridade é sempre pagar o aluguel, o que me obriga a fazer escolhas e deixar de fazer algumas coisas”, explica.
Envelhecimento é um fator, diz IBGE
A Pnad não pergunta o motivo pelo qual uma pessoa mora sozinha, mas o IBGE indica que o envelhecimento da população brasileira é um dos motivos para esse aumento.
A proporção de idosos com 60 anos ou mais cresceu de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025. Esse grupo representava 41,2% dos domicílios unipessoais em 2025.
O crescimento dos lares unipessoais ocorre também em um contexto de casamentos realizados mais tardiamente, conforme outras pesquisas do IBGE.
“Muitas pessoas chegam a uma idade em que os filhos já formaram suas próprias famílias ou ficam viúvas e passam a viver sozinhas. Em estados com população mais envelhecida, isso é mais comum”, explicou William Kratochwill, analista do IBGE que apresentou os dados.
“Além do envelhecimento, migração para trabalho, em que a pessoa vai sozinha primeiro e depois leva a família, também contribuem para esse fenômeno”, acrescentou.
O Rio de Janeiro continua com a maior proporção de lares unipessoais (23,5%), seguido pela Bahia (22,3%) e Rio Grande do Sul (21,9%). O menor índice foi no Pará (13,4%).
As populações do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul são as mais envelhecidas do país. No Rio de Janeiro, a presença de universidades e empresas pode atrair migrantes que vivem sozinhos.
A Pnad mostra também que, embora as mulheres sejam 51,2% da população total em 2025, entre os que moram sozinhos os homens são maioria, representando 54,9% dos lares unipessoais, contra 45,1% das mulheres.
William aponta que isso pode ocorrer porque, após a separação, as mulheres geralmente ficam com a guarda dos filhos, enquanto os ex-parceiros passam a viver sozinhos.
Domílios nucleares ainda são maioria
Apesar do aumento dos lares unipessoais, os domicílios formados por casais, com ou sem filhos (domicílios nucleares), continuam sendo a maioria no Brasil.
Em 2025, havia 52,1 milhões de domicílios nucleares, o maior número registrado, representando 65,6% do total.
Porém, essa participação diminuiu em relação a 2012, quando os domicílios nucleares representavam 68,4%.
Outras formas de domicílios são os estendidos (pessoa responsável com parentes) e compostos (pessoa responsável com não parentes, como empregados domésticos), que corresponderam a 13,5% e 1,1% respectivamente em 2025.
