Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), pediu neste sábado (30/5) uma mobilação contra a epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC). Ele visitou Bunia, capital da província de Ituri, centro do surto de Ebola.
Tedros está no país desde quinta-feira (28/5) para coordenar o combate à doença, que já tem 1.028 casos suspeitos registrados até sexta-feira (29/5), segundo autoridades locais.
Ao chegar em Bunia, Tedros Adhanom Ghebreyesus ressaltou que a população local tem papel fundamental na luta contra a epidemia. “As comunidades entendem melhor seus problemas e sabem como resolvê-los”, declarou.
Ele também afirmou que a comunidade internacional está colaborando com o governo da RDC, mas destacou a importância da participação das comunidades locais. “Estamos aqui para dialogar, avaliar o que foi feito e, se necessário, ajudar”, disse.
Mais apoio internacional é necessário
Na capital Kinshasa, na quinta-feira (28/5), Tedros pediu que mais recursos sejam destinados ao combate ao Ebola, pois a OMS recebeu apenas um terço do que precisa até agora.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que esta é a 17ª epidemia de Ebola desde 1976 e está se espalhando mais rápido do que nunca. Alan Gonzalez, diretor de operações da MSF, afirmou que o número de equipes médicas no campo e o apoio recebido ainda são insuficientes para controlar o surto.
Epidemia declarada em 15 de maio
A RDC, um país com mais de 100 milhões de habitantes, declarou o surto em 15 de maio e a OMS emitiu alerta internacional. O vírus do Ebola, que causa febre hemorrágica altamente contagiosa, foi detectado em três províncias da RDC, além de confirmar casos em Uganda, que faz fronteira com a RDC.
Até agora, a RDC registrou 246 mortes entre os casos suspeitos, conforme dados da agência de saúde da União Africana, Africa CDC. Apesar da situação complexa, Tedros acredita que é possível controlar o surto.
Primeiro paciente curado
Na sexta-feira (26/5), a OMS confirmou que um paciente se recuperou e recebeu alta hospitalar, retornando à sua comunidade. O ministro da Saúde da RDC, Samuel Roger Kamba, afirmou que não há motivo para pânico, e reforçou que a epidemia não está fora de controle.
O risco para países vizinhos é considerado alto, porém globalmente permanece baixo.
Desafios no combate ao surto
A província de Ituri concentra a maioria dos casos na RDC, mas o acesso é dificultado por áreas rurais com poucos serviços públicos e pela presença de grupos armados que cometem violência contra civis. Ataques a centros de tratamento e desconfiança da população são problemas importantes no enfrentamento da doença.
Além disso, milhões de deslocados vivem em condições precárias em campos superlotados, o que pode agravar a situação caso o vírus chegue a esses locais.
As autoridades acreditam que o número real de casos pode ser maior do que o registrado, pois a capacidade de testes laboratoriais na RDC é limitada.

