Os presídios do Distrito Federal abrigam atualmente mais de 500 integrantes de grupos criminosos. A maioria pertence ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização que os Estados Unidos classifica como terrorista, assim como o Comando Vermelho (CV). No DF, há 220 presos vinculados ao PCC e 76 ao Comando Vermelho.
Além desses, as penitenciárias também possuem 182 membros do Comboio do Cão, 20 do Comando Bala Voa (CBV) e 17 da Crime, Maldição e Morte (CMM). CBV e CMM atuam principalmente em áreas do Norte e Leste do DF, como Planaltina, Paranoá e Itapoã.
Classificação internacional
Na última quinta-feira, 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que o PCC e o CV foram oficialmente classificados como organizações terroristas estrangeiras. Esta medida faz parte da estratégia do governo americano para combater o crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos envolvidos com narcotráfico.
De acordo com o Departamento, a intenção é proteger os interesses de segurança nacional dos EUA, impedir que drogas ilícitas cheguem às ruas americanas e interromper o financiamento proveniente do narcotráfico.
Impactos da decisão
O governo dos Estados Unidos considera o PCC e o CV entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. Essas facções têm redes que ultrapassam as fronteiras brasileiras e impactam diretamente a segurança americana.
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, manifestou preocupação com essa classificação, que pode abrir precedentes para intervenções externas no país. Isso ocorreu, por exemplo, na Venezuela em 2025, quando houve bombardeios sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
Consequências econômicas
Segundo William Pimentel, diretor jurídico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), essa classificação pode gerar uma nova barreira econômica internacional. Empresas como bancos, seguradoras e companhias de logística tendem a adotar medidas mais rigorosas para evitar vínculos com ativos relacionados ao PCC e CV.
Ele destaca que o capital associado às facções terá dificuldades para se movimentar no mercado internacional, uma vez que o controle da moeda, do sistema bancário e dos regimes de sanções está centralizado por países com maior poder econômico.
