Um evento de El Niño de força média a forte pode afetar o Brasil a partir do segundo semestre de 2024, conforme relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA).
Este fenômeno, conhecido como El Niño Forte, traz instabilidade e aumenta o risco de eventos climáticos extremos nas regiões impactadas.
O NOAA indica uma chance de 82% de o evento começar entre maio e julho, e uma probabilidade de 96% de se desenvolver até dezembro.
Riscos para o Sul do Brasil
O Sul do país pode sofrer com tempestades, enchentes e chuvas intensas, pois o El Niño altera a circulação do ar e direciona umidade da Amazônia para a região.
A combinação dessa umidade com frentes frias provoca fortes temporais, inundações e alagamentos. Em 2024, esses fenômenos, somados a deficiências locais, causaram enchentes históricas no Rio Grande do Sul.
“No Sul, onde o El Niño traz chuvas intensas, sistemas de drenagem que não são suficientes tendem a falhar, gerando alagamentos frequentes e problemas como o extravasamento de esgoto. A infraestrutura rodoviária em Santa Catarina e Rio Grande do Sul possui muitos pontos de risco geológico”, explica Júlio César da Silva, engenheiro ambiental e professor da UERJ.
Júlio César ressalta que a vulnerabilidade das regiões depende mais das condições de infraestrutura já existentes do que só do fenômeno climático.
Desafios no Norte e Nordeste
Além das queimadas, a seca severa impacta diretamente a infraestrutura básica e o abastecimento de água potável nessas regiões.
“O semiárido nordestino e a Amazônia ocidental dependem muito de infraestrutura vulnerável ao clima e têm menor capacidade financeira e administrativa para reagir. A seca não causa um rompimento abrupto, mas esvazia lentamente rios e reservatórios, resultando em um problema silencioso que só é notado quando a água acaba”, aponta Júlio César.

