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quinta-feira, 30/04/2026

Brasil recebe mais de 2 milhões de imigrantes de 200 países

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O Brasil acolhe pouco mais de 2 milhões de pessoas que vieram de outros países, incluindo aqueles que moram, estão temporariamente vivendo, refugiados e pessoas que ainda buscam autorização, vindos de 200 diferentes nacionalidades em todas as regiões do país. Os grupos maiores são de venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. Cerca de 680 mil venezuelanos já vivem no Brasil no início de 2026, principalmente mulheres e crianças de 0 a 14 anos.

Essas informações fazem parte do 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), chamado ‘Política Migratória no Brasil: evidências para gestão de fluxos e políticas setoriais’, apresentado em Brasília pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O relatório dá suporte para a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), criada pelo decreto nº 12.657/2025, que substituiu a antiga Lei de Migração de 2017.

O relatório mostra como os movimentos migratórios vêm mudando, de onde chegam, a distribuição por gênero e idade, onde vivem e as formas de regularização, além de analisar aspectos importantes como trabalho, educação, proteção social e a gestão local. Davide Torzilli, representante da Acnur no Brasil, destacou o compromisso do país com dados públicos abertos para enfrentar os desafios da mobilidade humana e elogiou a PNMRA por ser única no mundo, baseada em direitos humanos e cooperação internacional.

Na área de trabalho e renda, o relatório aponta um aumento de 54% no número de trabalhadores migrantes formais entre 2023 e 2025, chegando a mais de 414 mil empregos. Cerca de 43% desses empregos estão na indústria, especialmente no abate de animais na região Sul. Os venezuelanos lideram com mais de 201 mil trabalhadores formais em 2025, seguidos pelos haitianos (51,2 mil, crescimento de 20,4%) e cubanos (30,7 mil). Contudo, muitos imigrantes qualificados acabam trabalhando em cargos de baixa qualificação por causa de problemas com seus documentos.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou que o trabalho é fundamental para a integração e alertou para o risco de exploração no trabalho informal, onde 78,8% dos trabalhadores domésticos migrantes (1.184 em 2024) não possuem carteira assinada. O relatório recomenda o reconhecimento de diplomas, a mediação para trabalho qualificado e a redução de barreiras. Marinho também defendeu que o desenvolvimento local seja incentivado com qualificação e interiorização.

Na área de proteção social, houve um aumento de 15,6% no número de migrantes cadastrados no CadÚnico, passando de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024, com maioria de mulheres (55,6%) e aumento de 18,6% no número de crianças e jovens (188.531 em 2024). Em 2023, 302.497 dessas pessoas recebiam o Bolsa Família. A maior concentração está em São Paulo (140.033), Paraná (102.046) e Roraima (86.845). O relatório sugere agilizar o acesso aos benefícios e melhorar o monitoramento.

Na área da educação, as matrículas de estudantes imigrantes na educação básica cresceram 437% de 2010 a 2024, chegando a 224.924, e no ensino superior, aumentaram 77,5%, totalizando 29.635 em 2023. Ainda há desafios na inclusão linguística e na adaptação dos métodos de ensino. O relatório recomenda criar espaços de diálogo respeitosos e oferecer apoio para facilitar o acesso e a permanência, considerando também alimentação, moradia e saúde.

Quanto à governança local, o documento destaca a importância da colaboração entre União, estados e municípios para melhorar os serviços públicos, propondo estruturas permanentes e justas. É sugerido ampliar o acolhimento e a interiorização além de Roraima, fortalecendo a cooperação para a integração de imigrantes e refugiados.

Com informações da Agência Brasil

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