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terça-feira, 12/05/2026

Bolsa cai 1% com inflação e tensão no Oriente Médio; dólar sobe

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A Bolsa de Valores teve uma queda significativa nesta terça-feira (12), devido à atenção dos investidores sobre os dados da inflação no Brasil e nos EUA, além da escalada da tensão no Oriente Médio.

Por volta das 13h30, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, caiu 0,94%, chegando a 180.247 pontos, devido à cautela provocada pelo cenário geopolítico mundial. No horário, a mínima da Bolsa foi de uma queda de 1,08%.

Ao mesmo tempo, o dólar subiu 0,16%, sendo negociado a R$ 4,899. Internacionalmente, o índice DXY, que avalia o valor do dólar frente a seis moedas fortes, também avançou 0,42%.

No Brasil, destaque para os dados de inflação do IBGE divulgados nesta manhã. O IPCA teve uma desaceleração, aumentando 0,67% em abril, comparado a 0,88% em março.

Os preços de alimentos e bebidas continuaram pressionando a inflação, assim como a gasolina, cujo custo foi impactado pelo aumento no preço do óleo diesel após o início da guerra no Irã.

O IPCA é um indicador essencial para as decisões de juros do Banco Central. Com a inflação dando sinais de desaceleração antes do conflito no Irã, o Banco Central começou a reduzir a taxa Selic, que chegou a 14,5% ao ano em abril. No entanto, o conflito ainda está sem solução, o que pode influenciar a duração e intensidade do ciclo de cortes nos juros.

André Valério, economista sênior do Inter, destaca a necessidade de cautela por parte do Copom. “Apesar da desaceleração, existem fatores que exigem cuidado na política monetária. A incerteza em torno do conflito aumenta a pressão sobre os preços e pode afetar os outros índices.”

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, acredita que o Banco Central deve continuar com cortes moderados na Selic, pois a queda lenta tem afetado as empresas no pagamento de juros elevados, refletido nos resultados financeiros.

Ontem, o Grupo Toky, dono das redes Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial, evidenciando sua crise financeira. Isso levou à queda forte nas ações da empresa, que cederam 41% e chegaram a cair até 45% no pregão.

Além disso, as ações da Natura caíram até 7%, após registro de aumento no prejuízo do primeiro trimestre.

Por outro lado, Braskem, com recomendação de compra do JP Morgan, e Hapvida, que teve resultados além do esperado, tiveram alta de 24% e 16%, respectivamente.

Nos EUA, o índice CPI, que mede a inflação, subiu 3,8% em abril, o maior nível em três anos, pressionado pela guerra no Irã e pelo aumento nos preços dos combustíveis, especialmente a gasolina, que teve alta de 28,4% em relação ao ano anterior.

Nickolas Lobo, especialista da Nomad, comenta que a redução da inflação americana enfrenta dificuldades, o que deve tornar o Federal Reserve mais cauteloso, prolongando a manutenção de condições monetárias restritivas para conter a alta de preços.

No cenário internacional, a tensão entre EUA e Irã continua elevada. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio está em situação crítica, rejeitando a contraproposta iraniana para encerrar a guerra.

O Irã propôs o fim imediato do conflito, o levantamento do bloqueio naval, garantias contra novos ataques e o fim das sanções econômicas, incluindo restrições à venda de petróleo, mas a proposta foi considerada inaceitável por Trump.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, comenta que o mercado agora reflete a frustração com a falta de acordo entre os EUA e Irã, depois de um breve otimismo com a possibilidade de resolução do conflito.

No Brasil, a continuidade do conflito gera efeitos mistos. O aumento da incerteza sobre o petróleo pode provocar fuga global de ativos de risco para investimentos seguros, o que prejudica mercados emergentes, mas o real e a Bolsa podem ser beneficiados devido à distância do país do conflito e sua ligação ao petróleo, que está em alta.

O preço do petróleo segue subindo, com alta de 3,30%, chegando a US$ 107,69. Esse aumento tem limitado a queda das ações da Petrobras, que tiveram uma redução de 7,2% no lucro do primeiro trimestre. As ações preferenciais da estatal recuaram 1,72% no início da tarde.

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