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terça-feira, 09/06/2026

Grupo Toky solicita recuperação judicial

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FOLHAPRESS

O Grupo Toky, responsável pelas redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com um pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12) devido a uma crise financeira e operacional crescente. Nos últimos meses, os consumidores têm reclamado muito dos atrasos nas entregas, dificuldades para receber reembolsos e problemas no atendimento ao cliente.

Segundo comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), “Mesmo com os esforços da administração para renegociar as dívidas da Tok&Stok, o elevado endividamento do grupo continua e piora”.

O grupo explicou que a situação exige “medidas urgentes para preservar suas operações, manter sua liquidez e possibilitar uma reestruturação organizada das dívidas e da estrutura de capital”.

As ações da empresa caíram fortemente na Bolsa brasileira, sendo negociadas a R$ 0,17, uma redução de 41%. Em momentos, a queda chegou a 45% e as ações foram suspensas temporariamente devido à grande volatilidade. No acumulado do ano, registrar-se uma queda de 79%.

O pedido de recuperação judicial, aprovado pelo conselho da empresa, tem como objetivo proteger a companhia e suas controladas, garantir a continuidade das operações, preservar os serviços oferecidos, manter o valor da empresa e sua função social, além de abrir caminho para negociar e implementar soluções para suas obrigações financeiras.

O processo foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, sob segredo de justiça.

Os clientes já vinham percebendo os problemas, relatando atrasos nas entregas, atrasos em devoluções de valores e dificuldades para contatar a empresa. Em entrevista, Victor Noda, CEO do grupo, mencionou que problemas na integração começaram após a Mobly tentar comprar a Tok&Stok em agosto de 2024, numa tentativa de reorganizar a empresa diante da deterioração do negócio.

A Tok&Stok, fundada em 1978 pelo casal francês Ghislaine e Régis Dubrule, é conhecida no Brasil por móveis e decoração destinados às classes A e B, com foco em design moderno e lojas grandes em áreas nobres.

No entanto, o crescimento veio acompanhado de um aumento significativo das dívidas. Em 2012, os fundadores venderam o controle da empresa para a gestora Carlyle.

A Mobly, que atua no comércio online e foca principalmente na classe C, também enfrentou desafios após um crescimento rápido durante a pandemia de Covid-19. Com a redução das compras online pós-pandemia, o setor de móveis enfrentou margens menores e menor demanda.

O pedido de recuperação judicial ocorre em meio a um cenário de retração no varejo de bens duráveis e maior seletividade dos consumidores, impactando empresas dependentes de crédito e logística complexa.

Mudanças no Conselho

Na noite de segunda-feira (11), o grupo anunciou que quatro fundos geridos pela SPX Private Equity estavam em estágio avançado para vender a totalidade de seus investimentos em ações e bônus de subscrição da empresa.

Em comunicado, os fundos informaram que Fernando Porfirio Borges deixaria o conselho de administração devido às negociações.

Também na segunda-feira, o grupo informou que Felipe Fonseca Pereira renunciou ao conselho.

Para preencher as vagas, foram eleitos interinamente Fabio Ferrante, como conselheiro, e André França, como conselheiro independente.

Informações Gerais do Grupo Toky

  • Fundação: 1978
  • Sede: São Paulo
  • Funcionários: 1.800
  • Marcas: Tok&Stok, Mobly e Guldi
  • Lojas: 65 (50 Tok&Stok e 15 Mobly); 3 Centros de Distribuição (São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina)
  • Presença: 21 estados e Distrito Federal (Tok&Stok); São Paulo (Mobly)
  • Receita líquida: R$ 1,5 bilhão
  • Principais concorrentes: Camicado, Mercado Livre, Westwing, Madeira Madeira e grandes varejistas de móveis

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