A Bélgica anunciou que irá assumir o controle dos reatores nucleares operados pela empresa francesa Engie que estão localizados no país.
Esta medida faz parte de um esforço para aumentar o uso da energia nuclear, revertendo a política anterior que visava abandonar essa fonte até 2022.
O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, informou que um acordo foi fechado com a Engie para iniciar os estudos necessários para a aquisição completa das usinas nucleares belgas.
Bart De Wever prometeu ampliar o uso da energia nuclear para garantir uma fonte segura, acessível e sustentável, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis importados.
Segundo nota oficial divulgada em Bruxelas, o acordo envolve a possível compra de sete reatores nucleares, seus funcionários, subsidiárias, além de todos os ativos e responsabilidades relacionadas, incluindo a desativação e desmontagem das instalações.
Mudança na política energética
Desde 2003, a Bélgica planejava eliminar gradualmente a energia nuclear até 2025, mas preocupações com a segurança energética levaram à suspensão dessa decisão em 2022.
Em votação no Parlamento belga, a maioria rejeitou a eliminação da energia nuclear e agora o governo pretende também construir novas usinas.
A Europa tem voltado o olhar para a energia nuclear, diante da alta nos preços do petróleo e do gás natural, agravados por conflitos no Oriente Médio e tensões com o Irã.
Esses fatores, somados à guerra na Ucrânia e à redução do fornecimento de gás natural da Rússia, motivam a revisão das matrizes energéticas europeias.
A Engie opera sete reatores na Bélgica, localizados em Tihange e Doel, mas apenas dois tiveram suas licenças estendidas por mais dez anos, segundo acordo de 2023.
O futuro das usinas mais antigas tem sido discutido por décadas, com o país enfrentando desafios para expandir significativamente a energia renovável e dependendo muito da importação de gás natural para gerar eletricidade.
