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“Vitória kirchnerista poria em risco acordo com UE”, diz professor da FGV

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Professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenke acredita que kirchneristas podem pressionar por cancelamento do acordo

Cristina Kirchner e Alberto Fernández: chapa é favorita para as eleições argentinas, em outubro (Marcos Brindicci/Reuters)

A troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o kirchnerista Alberto Fernández representa o risco de uma relação bilateral ruim entre Brasil e Argentina e uma redução da relevância econômica brasileira no país vizinho. A opinião é do professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas Oliver Stuenkel.

Qual avaliação podemos fazer dessa rusga entre o presidente Bolsonaro e Fernández?

Primeiro, é preciso dizer que o resultado na Argentina tem um impacto importante sobre a dinâmica regional. Dentro desse novo contexto, de uma vitória do Fernández, a janela que a gente tinha para um alinhamento em temas grandes na região vai fechar.

Por parte do presidente, ele sabe que vai ser (mais) difícil cooperar com o governo Fernández que o atual. Mas o que acontece agora tem um fundo eleitoral. Fernández está em campanha e para ele é bom ser mencionado pelo Bolsonaro. Ele tem usado isso e sabe que pessoas moderadas, divididas entre ele e Macri, ficam horrorizadas pelo que Bolsonaro diz.

Mas o que muda em termos práticos caso ele seja eleito?

Não é inteligente atacar o candidato que provavelmente vai ganhar. Na diplomacia, a gente precisa se adequar à política interna de outros países e trabalhar com quem ganha a eleição.

Isso vai sobrar, como sempre, para o (vice-presidente Hamilton) Mourão, que já tem dito que haverá uma boa relação. Mas, obviamente, é um gostinho daquilo que pode haver no futuro: o risco real de uma relação bilateral péssima.

O que seria mais afetado?

A primeira área em risco é o acordo de livre-comércio com a UE. O pessoal do Fernández defende uma revisão, mas acham complicado pois haverá pressão dos kirchneristas mais radicais. Acho que isso aumenta o risco de não ratificação. Em segundo, tem a crise na Venezuela. A Argentina do Fernández não vai se alinhar à Venezuela, mas adotará uma posição mais cautelosa.

Seria uma posição mais próxima à da UE e do Uruguai?

Sim. Basicamente a posição uruguaia. E a terceira a relação bilateral em si. Que melhorou nos últimos meses, principalmente no combate ao crime organizado. Mas uma cooperação mais ágil e moderna deve acabar. A China, aos poucos, está superando a presença econômica brasileira na Argentina. Claramente há um risco. O confronto que o Bolsonaro promove pode ter impacto na influência brasileira na Argentina.

Seria raro na relação bilateral dois presidentes tão distantes ideologicamente?

Sempre foi algo funcional, mas nunca foi muito harmônico. O Néstor (Kirchner), por exemplo, se elegeu com ajuda do (ex-presidente) Lula, mas tem um episódio maravilhoso em que o Lula organiza uma reunião com todos os presidentes e o Néstor se atrasa para não aparecer na foto, pois não quer dar essa vitória simbólica ao Lula.

Mas o tipo de retórica que temos agora é sem precedentes desde os anos 80 e é um péssimo sinal. A partir do momento em que a relação bilateral entre Brasil e Argentina não funcionam, você não tem nenhum progresso em projetos regionais.

E o que esse avanço da esquerda representa regionalmente, em termos políticos-ideológicos?

A gente teve a onda rosa (no começo do século 21). Foi uma época que aumentou a visibilidade da região, graças ao cenário externo muito favorável. A partir da eleição do Macri, muita gente apostou numa onda de centro-direita. E pela situação no Uruguai e na Bolívia, a transição venezuelana que não chega, a contracorrente não tem sido tão forte e tão duradoura. Essa ideia articulada no Prosur, de uma década da centro-direita, isso não está ocorrendo.

Temos uma mistura. Tudo vai depender da posição da esquerda que voltar ao poder. Se vai ser uma esquerda mais “uruguaia”. Com uma postura mais radical, a Argentina terá dificuldades de lidar com o Brasil, com o (Sebastián) Piñera, com o (Mario) Abdo e até com o (Donald) Trump.

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Ousado, projeto de brasileiro propõe cobrir Notre-Dame com vitrais

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Quatro meses depois do incêndio que destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, um arquiteto brasileiro apresentou um projeto para reconstrução do local. A proposta é usar vitrais para refazer o teto e a agulha, as partes mais prejudicadas pelo fogo.

Em uma postagem no Instagram, o arquiteto responsável pelo projeto explicou que a ideia é usar a iluminação natural, que ao passar pelos vitrais, se multiplicará em diversas cores. Alexandre Fantozzi completou que para a parte da noite, a iluminação interior se tornaria uma grande cobertura retroiluminada.

O projeto, batizado de Couronne Divine – ou Coroa Divina – tem como objetivo exaltar uma das características mais importantes do estilo Gótico, que norteia a Catedral. A proposta é usar materiais mais tecnológicos para isso.

O arquiteto reforçou que não pretende intervir no design e não tem aspirações artísticas. Fantozzi afirmou que quer respeitar o significado sagrado de Notre Dame, uma Catedral inaugurada nos anos 1345.

O governo francês pretende entregar as obras de recuperação da estrutura em até cinco anos, mas ainda não deu detalhes da escolha de um projeto de reconstrução.

 

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Impasse político na Itália mantém navio com 134 imigrantes à deriva

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Em meio a uma batalha entre ex-aliados políticos, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, impediu o desembarque do navio com imigrantes na Itália

Itália: a imigração se tornou um tema central do plano de Salvini para impor novas eleições (Guglielmo Mangiapane/Reuters)

Itália – Um navio de resgate com 134 imigrantes a bordo, a maioria africanos, aguardava no litoral da Itália nesta sexta-feira em meio a uma batalha entre ex-aliados políticos que impediu a embarcação de atracar em Lampedusa, ilha do sul do país.

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, determinou que suas autoridades impeçam o navio de desembarcar os imigrantes, que foram resgatados no litoral da Líbia 16 dias atrás, desafiando seu próprio primeiro-ministro e apesar de seis nações da União Europeia terem concordado em recebê-los.

O sofrimento dos imigrantes ressalta o colapso da coalizão governista italiana e como a imigração se tornou um tema central do plano de Salvini de impor novas eleições à nação e voltar ao poder como premiê.

Cinco pessoas seriamente traumatizadas foram retiradas do navio Open Arms, operado por uma organização espanhola homônima, na quinta-feira, acompanhados de quatro familiares. Outras três pessoas que necessitavam cuidado médico urgente foram levadas à terra firme durante a noite com um acompanhante, informou o Open Arms no Twitter.

“Elas estão se flagelando e ficando com raiva de outras pessoas do grupo”, explicou Alessandro di Benedetto, psicólogo do grupo humanitário italiano Emergency, à rádio RAI depois de examinar as cinco pessoas desembarcadas na quinta-feira.

“Algumas delas estão tendo pensamentos suicidas, então pensam que é melhor morrer aqui do que voltar.”

 

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Israel autorizará visita de congressista americana por razão ”humanitária”

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O ministro Aryeh Dery decidiu nesta sexta-feira autorizar a entrada de Rashida Tlaib “para uma visita humanitária a sua avó”

(foto: Ahmad Gharabli/AFP)

Israel autorizará a entrada em seu território da congressista democrata americana Rashida Tlaib para uma “visita humanitária”, anunciou nesta sexta-feira o ministro do Interior.
As autoridades israelenses haviam proibido na quinta-feira as visitas de Tlaib e de outra congressista americana, Ilhan Omar, devido a seu apoio à campanha de boicote ao Estado hebreu e após um pedido do presidente americano, Donald Trump.
Mas o ministro Aryeh Dery decidiu nesta sexta-feira autorizar a entrada de Rashida Tlaib “para uma visita humanitária a sua avó”.
A própria congressista “prometeu não estimular a causa do boicote a Israel durante sua estadia”, afirma um comunicado divulgado pelo ministério.
Rashida Tlaib é a primeira congressista americana de origem palestina. O território de Israel é a porta de entrada para os Territórios Palestinos.
O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) defende o boicote econômico, cultural e científico de Israel para protestar contra a ocupação dos Territórios Palestinos.
Israel aprovou em 2017 uma lei que permite a proibição de entrada em seu território dos partidários do BDS, que o país denuncia como antissemitas, acusações que os ativistas rejeitam.
Rashida Tlaib escreveu na quinta-feira às autoridades israelenses para solicitar autorização para visitar sua família, em particular sua avó, que mora em Beit Ur al Fauqa, perto da Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
“Pode ser minha última oportunidade para visitá-la”, escreveu a congressista. “Me comprometo a respeitar todas as restrições e a não promover o boicote contra Israel durante minha visita”, completou no texto.
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