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quinta-feira, 11/06/2026

Construção movimenta R$ 10,2 bilhões no DF

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A construção civil é uma das áreas mais importantes da economia do Distrito Federal. Em 2024, o setor movimentou R$ 10,2 bilhões em projetos, serviços e obras, gerando empregos para 47,7 mil pessoas e garantindo ao DF a segunda maior participação da construção na Região Centro-Oeste, atrás apenas de Goiás. Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Cerca de 1,4 mil empresas com cinco ou mais funcionários atuaram no setor no ano passado, pagando R$ 1,7 bilhão em salários e outras remunerações. Com isso, o Distrito Federal representa 24,1% da atividade da construção na região.

O setor não só constrói edifícios, mas também movimenta toda uma cadeia econômica. Para o economista e professor **César Bergo**, da Universidade de Brasília (UnB), a construção civil é fundamental para gerar empregos em diversos níveis e estimular setores que vão do comércio de materiais a serviços especializados.

“A construção civil emprega desde operários até profissionais como engenheiros, arquitetos e administradores. É um setor que movimenta muitas áreas e cria oportunidades”, explica.

No DF, a construção de edifícios, que inclui residências e estabelecimentos comerciais, foi responsável por 54,7% do valor total investido no setor em 2024. Serviços especializados, como preparação do terreno e instalações, responderam por 23%, e obras de infraestrutura, como projetos públicos e de engenharia pesada, por 22,3%.

Esses segmentos também lideram na geração de empregos: 46,6% dos trabalhadores atuam na construção de edifícios, 37% em serviços especializados e 16,4% nas obras de infraestrutura.

Diversos trabalhadores contribuem para essa atividade, como **Almir Pereira**, de 47 anos, hoje responsável por um almoxarifado e com 24 anos de experiência no setor. Para ele, a construção civil é mais que uma fonte de renda, é uma chance de garantir o progresso da família e a realização de sonhos, como a educação dos filhos.

O setor também abre portas para os jovens, como **João Vitor Sousa**, de 17 anos, que trabalha como bloqueiro. Ele encontrou na construção civil sua primeira fonte de renda estável, podendo ajudar sua família e alcançar independência.

Mesmo com o esforço físico e o ambiente intenso, João Vitor sente orgulho de participar da transformação da cidade, sabendo que seu trabalho contribui para a vida de muitas pessoas.

Mercado em crescimento

Segundo **César Bergo**, o desempenho da construção civil no Distrito Federal está ligado à economia e ao perfil da cidade, que tem alta renda per capita, fluxo constante de novos moradores e necessidade contínua de expansão urbana.

“O DF tem a maior renda per capita do país e atrai pessoas buscando qualidade de vida. Isso mantém a demanda por moradia, serviços e infraestrutura”, afirma. Ele destaca ainda que investimentos públicos e privados ajudam a manter o setor forte mesmo em momentos econômicos difíceis.

O engenheiro civil **William Hungria**, CEO da Hagá Construções, atribui o bom resultado ao planejamento urbano e à alta demanda por novos empreendimentos em áreas como Samambaia, Santa Maria e Jardim Botânico.

Desafios da infraestrutura

Os especialistas alertam para a necessidade de acompanhar o crescimento imobiliário com melhorias na infraestrutura da cidade. **William Hungria** destaca que não basta construir imóveis; é preciso garantir transporte, saneamento, energia, escolas e hospitais para manter a qualidade de vida.

“O desenvolvimento urbano precisa focar na mobilidade e sustentabilidade. Um bom empreendimento melhora a vida das pessoas ao redor e ajuda a cidade crescer de forma saudável”, acrescenta.

Casa própria em alta

Os dados da PAIC confirmam o momento positivo do mercado imobiliário. O presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), **Celestino Fracon Júnior**, afirma que o setor continua forte, gerando empregos e oportunidades, mesmo com juros altos.

O mercado atende diferentes perfis, desde famílias de baixa renda até compradores de imóveis de médio e alto padrão. Regiões como Ceilândia, Samambaia e Águas Claras concentram muitos lançamentos.

**Celestino Fracon Júnior** observa que a pandemia mudou a forma como as pessoas valorizam a casa própria, que passou a ser vista como um espaço de segurança e planejamento familiar.

Perspectivas positivas

Os especialistas esperam que a construção civil continue sendo um pilar importante da economia do Distrito Federal nos próximos anos, com novos projetos em mobilidade urbana, saneamento e infraestrutura.

“Ainda há espaço para desenvolvimento urbano e obras estruturantes. A construção civil seguirá gerando emprego e movimentando diversos setores produtivos”, conclui **César Bergo**.

Em média, as empresas da construção no DF tinham 33,3 trabalhadores por unidade em 2024, com remuneração equivalente a dois salários mínimos por mês.

A PAIC é a principal pesquisa do IBGE sobre o setor, monitorando indicadores como emprego, remuneração, receitas, custos e valor das obras e serviços realizados.

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