O dólar teve uma pequena queda na tarde desta quarta-feira, 10, depois de alta pela manhã e com o real mostrando sinais de recuperação, após uma semana ruim frente a outras moedas emergentes. Apesar das tensões provocadas pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, a inflação central nos EUA subiu menos do que o esperado. Isso reduziu o temor de aumento dos juros americanos, aliviando a pressão no câmbio.
Pela manhã, o dólar oscilou entre R$ 5,1976 e R$ 5,1596, fechando o dia em R$ 5,1726, uma queda de 0,09%. Mesmo assim, o dólar acumula alta de 0,30% na semana e 2,57% no mês, mas queda de 5,76% no ano.
A preocupação inicial com o conflito no Oriente Médio elevou o dólar, devido às declarações e ações militares dos EUA contra o Irã. O presidente Trump afirmou que os EUA devem atacar o Irã novamente e declarou que as forças iranianas estão derrotadas.
José Carreira, operador de câmbio da Fair Corretora, explicou que a abertura em alta era esperada por causa dos ataques recentes e do fechamento do Estreito de Ormuz, o que eleva o preço do petróleo e pode causar inflação global, inclusive no Brasil.
No entanto, os dados do núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA, que excluem alimentos e energia, ficaram abaixo do esperado. Isso ajudou o real a se valorizar um pouco depois de um desempenho ruim na semana anterior.
Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, reforçou que a inflação americana é um indicador importante para as expectativas de juros realizados pelo Federal Reserve. Portanto, uma alta menor do núcleo do CPI é vista como uma notícia positiva.
José Carreira também comentou que o mercado pode estar repensando a intensidade dos futuros ataques dos EUA ao Irã, pois às vezes o presidente Trump faz ameaças que não se concretizam.
O Banco Central informou que o fluxo cambial em junho até o dia 5 foi positivo em US$ 2,588 bilhões, aumentando o saldo acumulado em 2026 para US$ 16,6 bilhões.
Sérgio Goldenstein, economista da Eytse Estratégia, lembrou que a desvalorização do real na semana passada foi maior do que a de outras moedas emergentes.
Oliver Levingston, estrategista do Bank of America Securities, considera que o interesse em operações de carry trade com moedas de emergentes não exportadoras de commodities diminuiu devido à incerteza no mercado de petróleo. Já o Brasil, como exportador de petróleo, tem sido beneficiado pela alta da commodity, o que ajudou a recuperar um pouco o real.
Bolsa
O Ibovespa fechou em baixa pela segunda vez na semana, com investidores cautelosos após as ameaças do presidente Trump ao Irã. A expectativa de um acordo para acabar com o conflito no Estreito de Ormuz perdeu força, o que afetou negativamente os mercados.
A abertura de capital da SpaceX também causou impacto, pois investidores venderam ativos para levantar recursos para a operação. Leonardo Morales, diretor da SVN Gestão, destacou que além do risco geopolítico, há buscas por funding para a oferta da SpaceX.
O índice Ibovespa caiu 0,70%, para 168.619 pontos, com queda das ações da Vale e alta da Petrobras, acompanhando o preço do petróleo.
Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, explicou que, além dos conflitos no Oriente Médio, há cautela antes das decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro na próxima semana.
No Brasil, o mercado espera manutenção da taxa Selic em 14,50%, mas economistas acreditam em redução dos juros, embora a inflação pressione para que os cortes não aconteçam.
Felipe Cima destacou que a queda dos juros pode ser necessária para a recuperação da bolsa, mas a inflação e a redução dos incentivos fiscais podem limitar essa flexibilização.
Juros
Os juros futuros no Brasil tiveram volatilidade durante o dia, mas acabaram com leve queda depois de terem subido na parte da manhã. A correção acontece após os títulos futuros terem alcançado níveis próximos a 15% recentemente.
Os contratos para janeiro de 2027 tiveram queda para 14,495%, e os para 2029 caíram para 14,94%. O mercado está bastante volátil, com movimentos fortes em ambas as direções, refletindo a incerteza atual.
Sergio Goldenstein afirmou que o mercado está disfuncional, com muita oscilação intraday e que qualquer fluxo altera bastante a curva de juros.
Um estrategista de corretora mencionou que as quedas recentes refletem uma correção técnica após o ajuste exagerado dos preços dos contratos.
Os aumentos iniciais dos juros foram influenciados pelos ataques dos EUA ao Irã e pela tensão geopolítica. O petróleo Brent também subiu 1,8%, fechando a US$ 93,10 o barril, o que beneficia a Petrobras.
O cenário político brasileiro também impacta os juros. Pesquisa Genial/Quaest mostrou que o presidente Lula ampliou a vantagem sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro, o que contribuiu para o comportamento cauteloso no mercado de juros.
Marcelo Bacelar, gestor da Azimut Brasil Wealth Management, afirmou que a leve queda dos juros é um ajuste técnico, sem mudança no cenário geral, que continua marcado por riscos elevados desde junho.
A expectativa é que o ciclo de cortes de juros ao longo do ano tenha chegado ao fim, com manutenção da taxa básica em torno de 14,50%.
Em relação à inflação, o ASA revisou sua projeção para o IPCA de 2026, de 5,3% para 5,5%, e para a Selic terminal do ano, de 13,25% para 14,25%.
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) de maio ficou dentro das expectativas, com avanço de 0,5% no mês e 4,2% na comparação anual. A curva dos títulos do Tesouro americano não manteve o alívio após o dado, pois o Fed deve continuar cauteloso na condução dos juros.
Fonte: Estadão Conteúdo.

