Leonardo Vieceli
(FOLHAPRESS), Rio de Janeiro RJ
A quantidade de pessoas consideradas pobres nas grandes cidades do Brasil caiu de 19,5% em 2024 para 18,4% em 2025.
Esse número é o menor desde 2012, segundo o 17º boletim Desigualdade nas Metrópoles, feito pelo centro de estudos PUC-RS Data Social e o Observatório das Metrópoles da UFRJ.
Os dados analisam as 22 maiores regiões metropolitanas do país e mostram que a renda aumentou para todos os grupos, inclusive os mais pobres, o que levou à queda da pobreza.
Porém, a renda dos mais ricos cresceu mais que a dos pobres, fazendo a desigualdade aumentar. O índice Gini, que mede essa diferença, subiu de 0,533 para 0,541, no entanto, ainda é um dos menores desde 2012.
O índice Gini varia de 0 (completa igualdade) a 1 (máxima desigualdade). Quanto maior o número, maior é a diferença entre ricos e pobres.
Os números foram calculados baseados na Pnad Contínua, pesquisa do IBGE, que divulgou também que a desigualdade nacional cresceu apesar da alta na renda dos vários grupos.
“A renda aumentou, mas a distribuição piorou um pouco”, explica André Salata, pesquisador do PUC-RS Data Social. Ele observa que índices acima de 0,5 indicam forte disparidade e que o aumento no último ano foi pequeno.
Em 2025, a renda média por pessoa nas grandes cidades foi de R$ 2.766 mensais, o maior valor já registrado. Contudo, o crescimento foi maior entre os 10% mais ricos (9,1%, para R$ 11.837) do que entre os 40% mais pobres (4,2%, para R$ 734).
Marcelo Ribeiro, do Observatório das Metrópoles, destaca que a faixa de renda alta se beneficiou mais da recuperação do mercado de trabalho e dos juros elevados, que aumentaram ganhos financeiros.
Para os mais pobres, a expansão da renda pode ter sido limitada pela redução nos benefícios sociais, mas o cenário geral ainda é positivo.
Milhões vivem em situação de pobreza nas metrópoles
Em 2025, 18,4% da população das metrópoles, cerca de 15,2 milhões de pessoas, estavam em situação de pobreza — número que supera a população da cidade de São Paulo (11,9 milhões).
Este grupo diminuiu em relação à pandemia, quando havia 25,6 milhões de pobres. A extrema pobreza também caiu de 3,4% para 3,2%, representando 2,6 milhões de pessoas.
Essa quantidade é maior que a população de capitais como Belo Horizonte ou Manaus, mas menos da metade do pico registrado em 2021.
O estudo segue critérios do Banco Mundial para definir pobreza e extrema pobreza, que em 2025 correspondem a renda mensal per capita de cerca de R$ 729 e R$ 229, respectivamente.
Moradores com renda abaixo desses valores são considerados pobres ou extremamente pobres.
Os 10% mais ricos ganham 16,1 vezes mais que os 40% mais pobres nas metrópoles, proporção maior que em 2024 quando era 15,4 vezes.
Desigualdade varia entre regiões metropolitanas
Juciano Rodrigues, do Observatório das Metrópoles, destaca que há grandes diferenças entre as regiões analisadas.
Em 2025, Brasília teve o maior índice de desigualdade (0,570), enquanto Cuiabá teve o menor (0,459).
Brasília, conhecida por abrigar uma elite do funcionalismo público com salários elevados, teve a maior renda média per capita, R$ 4.401, mais que o dobro da Grande São Luís, que teve o menor valor, R$ 1.616.
A taxa de pobreza nas metrópoles varia entre 7,7% em Florianópolis e 34,1% em Fortaleza. Na Grande São Paulo, o índice foi de 13,1%, abaixo da média nacional (18,4%).
Para extrema pobreza, os valores vão de 1,5% em Goiânia a 6,6% em São Luís, com São Paulo na média menor que o total das metrópoles (2,6% contra 3,2%).

