LAIZA MANGAS
FOLHAPRESS
Quatro pessoas foram detidas no Amapá suspeitas de roubarem uma carga de grude de peixe, que é a bexiga dos peixes, avaliada em 1 milhão de reais. Entre os presos está Genival Marreiros de Oliveira, 49 anos, ex-vereador e que foi secretário de Agricultura do município de Santana até ser demitido nesta quinta-feira (23).
O furto ocorreu na noite de quarta-feira (22) em alto-mar, no rio Caciporé, entre Calçoene e Oiapoque, a cerca de 500 km da capital Macapá.
A defesa de Oliveira e do funcionário dele, Josinaldo da Costa Martins, 51 anos, afirmou que os dois foram contratados apenas para transportar uma carga de “peixe seco”.
Dos outros presos, a polícia informa que Waldecir Rocha Guimarães, 35 anos, preferiu não falar, e Manoel José Carvalho Filho, 35 anos, disse que estava apenas pegando carona. Carvalho Filho estava sem advogado, e a polícia não informou se Guimarães tem defensor.
A Polícia Militar fez uma operação após receber uma denúncia anônima, com bloqueio na rodovia BR-156, e parou o carro com as quatro pessoas que transportavam a mercadoria para a área portuária em Santana.
Foi apreendida cerca de meia tonelada de grude de peixe, avaliada em 1 milhão de reais, além de celulares e dinheiro. O grude geralmente vem da espécie pescada-amarela (Cynoscion acoupa) ou gurijuba (Sciades parkeri), e atende a um mercado milionário no norte do Brasil, especialmente para países asiáticos.
Embora a exploração da bexiga dos peixes não seja proibida no Brasil, irregularidades podem acontecer, como pesca ilegal ou captura de espécies ameaçadas.
A pesca industrial e o excesso de pesca prejudicam os pescadores artesanais, pois causam escassez de peixes e desequilíbrios ambientais.
Oliveira foi exonerado do cargo de secretário.
O delegado responsável, Michael Duarte, falou que os depoimentos não esclareceram quem contratou o serviço nem a legalidade do transporte.
Os quatro presos vão ser indiciados e levados à Justiça de Calçoene para audiência de custódia. A polícia continua procurando outros três envolvidos no roubo.
Em 2019, Oliveira já tinha sido acusado pela Polícia Civil do Amapá por crime ambiental, por desmatar sem autorização uma Área de Preservação Permanente em Santana.
A Prefeitura de Santana disse que, por causa da gravidade do caso e para manter os princípios da administração pública, decidiu demitir o secretário. Também afirmou que os crimes não têm relação com o trabalho público dele, sendo atos pessoais.
O advogado Sath Falcony, que defende Oliveira e Martins, declarou que eles trabalham com transporte intermunicipal alternativo, sem regulamentação oficial, e foram contratados só para transportar uma carga de “peixe seco”.
