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quinta-feira, 25/06/2026

Preço do tomate, cenoura e batata mais que dobrou no primeiro semestre, diz IBGE

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Em Brasília

LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

No primeiro semestre de 2026, os preços do tomate, da cenoura e da batata-inglesa mais que dobraram, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (25).

Esses dados vêm do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que indica que a inflação desses alimentos ultrapassou 100% até junho deste ano.

Entre eles, o tomate teve o maior aumento, com alta de 103,84%, seguido pela cenoura com 103,1% e a batata-inglesa com 100,2%.

O IBGE recolhe preços desses alimentos em 11 regiões pesquisadas pelo IPCA-15, que inclui nove regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre — mais as cidades de Goiânia e Brasília.

O índice considera ao todo 367 produtos e serviços. Além desses três alimentos, apenas o pepino teve aumento acima de 100%, com alta de 114,3% até junho, mas seu preço é pesquisado apenas na Grande Curitiba.

Os preços desses alimentos costumam subir no início do ano devido a condições climáticas que dificultam a produção, comenta o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Além disso, em 2026, o aumento dos preços também está ligado aos efeitos da guerra no Irã. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, elevou o preço do petróleo no mercado internacional, o que aumentou o custo de insumos como o óleo diesel no Brasil, combustível essencial para o transporte rodoviário dos alimentos.

André Braz destaca que adubos, fertilizantes, defensivos agrícolas e o frete devem ter pressionado os custos do setor, mas que principalmente a sazonalidade e fatores climáticos explicam grande parte do aumento.

Alimentos como os hortifrutis, que têm um ciclo de produção mais curto, são mais sensíveis a variações, ou seja, seus preços podem subir ou cair rapidamente.

André Braz explica que, embora os preços desses alimentos costumem cair quando o clima melhora, essa queda tem sido pequena comparada aos aumentos nos últimos anos.

Para o segundo semestre, o desafio é maior por causa do fenômeno climático El Niño, que pode alterar a distribuição das chuvas com forte intensidade, o que pode prejudicar a produção agropecuária e pressionar ainda mais os preços, alerta o economista.

O aumento no preço dos alimentos afeta toda a população, mas pesa mais nas famílias de baixa renda, que têm orçamento menor e compram principalmente itens básicos do dia a dia.

Em ano eleitoral, a inflação acendeu o alerta no governo do presidente Lula (PT), que lançou medidas para controlar a alta dos combustíveis. O presidente deve disputar a reeleição em outubro.

Segundo o IPCA-15, o diesel recuou 1,47% em junho e 2,04% em maio, mas essas quedas ainda não compensam os aumentos de 16% em abril e 3,77% em março, logo após o começo da guerra no Irã.

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