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sexta-feira, 26/06/2026

Galípolo admite que Banco Central pode ter exagerado nas explicações sobre corte da Selic

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GUILHERME PIMENTA E ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira (25) que o Copom (Comitê de Política Monetária) talvez tenha errado ao tentar detalhar demais a última redução da taxa básica de juros, a Selic, feita na semana passada. Ele negou falta de transparência no comunicado e descartou influências eleitorais na decisão.

Na última reunião do Copom, foi reduzida a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. O Banco Central adotou uma abordagem mais cautelosa, antecipando o foco para o cenário do início de 2028, o que gerou confusão no mercado financeiro e valorização do dólar.

Gabriel Galípolo reconheceu que houve um excesso nas explicações: “A imprensa especializada apontou corretamente que o problema foi tentar explicar demais e não falta de transparência”. Segundo ele, incluir um parágrafo resumindo a decisão pode ter tornado a comunicação complexa.

O presidente afirmou que nenhum Banco Central no mundo costuma fazer previsões detalhadas sobre decisões futuras da taxa básica de juros. Ele explicou que em períodos de muita incerteza, é comum buscar sinais (conhecidos como guidance) sobre os próximos passos do Banco Central.

O foco para o início de 2028, chamado de horizonte relevante, estava previsto para ser adotado oficialmente no próximo encontro do Copom em agosto, enquanto a última decisão ainda considerou o final de 2027.

Na ata divulgada na terça-feira (23), o Banco Central avisou que a alta das projeções de inflação pode exigir mudanças bruscas e significativas na taxa de juros para controlar a inflação.

Gabriel Galípolo também rejeitou as críticas que associavam a decisão às eleições: “Se entendermos como funciona a defasagem da política monetária, fica claro que a decisão de hoje não influencia a economia de modo a afetar a eleição”.

O diretor de Política Monetária, Paulo Pichetti, acrescentou que, sem ampliar o horizonte até 2028, o Banco Central teria que tomar medidas mais duras, que poderiam causar uma desaceleração econômica desordenada.

Ele ressaltou que mesmo aumentos maiores na Selic não teriam efeitos milagrosos, mas poderiam provocar volatilidade nos mercados. A situação atual exigiu uma atitude diferente na comunicação para esclarecer a decisão.

Paulo Pichetti disse que o Copom esperava reação ao comunicado por ser incomum e destacou que optaram pela transparência para garantir a qualidade da decisão. No entanto, as reações indicaram que a mensagem foi considerada confusa por muitos.

A inflação prevista para o final de 2027 está alta devido a choques de oferta, e a expectativa é que esta situação melhore no começo de 2028, justificando a ampliação do horizonte na última decisão.

A indicação antecipada do que o Banco Central fará poderia restringir a liberdade de ação na próxima reunião.

Gabriel Galípolo comentou que aceita naturalmente as críticas à decisão e valoriza tanto os elogios quanto as críticas recebidas pela política monetária.

O Banco Central também divulgou hoje o Relatório de Política Monetária, documento trimestral com projeções econômicas. Nesse relatório, o crescimento econômico para 2026 foi reajustado de 1,6% para 2%. As declarações dos dirigentes aconteceram durante uma entrevista para detalhar o relatório.

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