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quinta-feira, 25/06/2026

Vereador abriu empresa para o PCC e liderava grupo paralelo, afirma polícia civil

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ANDRÉ FLEURY MORAES
São Paulo, SP (FolhaPress)

O inquérito final que investiga o papel do vereador Senival Moura (PT) em um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) revela que o parlamentar facilitou o uso da empresa de ônibus Transunião pela facção criminosa.

De acordo com a Polícia Civil, o vereador foi quem usou a Transunião para criar um sistema financeiro ilegal, que garantia apoio financeiro para membros do PCC.

Senival Moura foi preso em uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil nesta quarta-feira (25).

A assessoria do vereador informou que uma nota seria divulgada em breve, mas não deu detalhes nem contato do advogado.

Apesar de não ter cargo oficial na empresa, Senival era a figura central nas decisões, concluindo muitos processos importantes.

O Coaf encontrou movimentações financeiras de R$ 2,4 milhões sem origem clara, caracterizando uma situação grave segundo a polícia. Além disso, houve desconformidades entre o patrimônio do vereador e sua renda oficial.

Os investigadores descobriram que ele possui imóveis avaliados em mais de R$ 1,8 milhão e uma fazenda de alto padrão em Extrema, Minas Gerais.

Esses bens não condizem com seu salário como servidor público e vereador, que é de R$ 26 mil.

A liderança do PT na Câmara de São Paulo não se pronunciou até o momento.

Junto com Senival Moura, foram presos Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, aliado do vereador. Ambos são réus no caso do assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião, em 2020.

A reportagem tentou contato com as defesas e a empresa Transunião, sem sucesso.

A investigação que originou a operação Última Parada começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge.

O Ministério Público reuniu provas de que a Transunião recebeu em 2025 cerca de R$ 300 milhões do sistema de transporte de São Paulo para lavagem de dinheiro.

A Justiça ordenou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, além do bloqueio de 117 veículos, 21 imóveis e 3 embarcações.

Os diretores da Transunião foram afastados e a Prefeitura de São Paulo foi informada para tomar medidas administrativas e regulatórias, inclusive com possível intervenção na empresa.

O objetivo é garantir que o serviço de transporte coletivo continue operando para os usuários.

As investigações indicam que existe um grupo paralelo na empresa que toma decisões e realiza transferências de valores para criminosos ligados ao PCC.

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