Superlotação, falhas nas operações e falta de investimentos são alguns problemas enfrentados pelo metrô da capital, conforme aponta relatório da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), divulgado em 25 de junho. O relatório foi elaborado após visita técnica realizada em 29 de maio nas instalações da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF).
Uma das principais dificuldades encontradas foi a falta de trens, que prejudica a regularidade do serviço e diminui sua qualidade. A programação do metrô prevê 22 trens em funcionamento no horário de pico e 12 no entrepico, porém, no dia da visita, apenas 19 trens estavam circulando. Já foram registradas operações de pico com apenas 12 trens, o que é insuficiente para a demanda.
O funcionamento também foi afetado pela queda de 2,18% no número de acessos, cerca de 900 mil passageiros a menos em relação ao relatório do ano anterior. A escassez de funcionários também contribui para a perda de receita, já que aumentou o número de liberações de catracas devido à falta de pessoal para controlar o acesso e vender bilhetes.
Outro grande desafio é a dependência tecnológica da fabricante Alstom na manutenção e recuperação da frota. O processo de compra de 15 novos trens está em andamento, com custo estimado de R$ 48 milhões por unidade, e o projeto foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) do Governo Federal.
A fiscalização foi motivada pelo aumento das reclamações dos usuários, que relatam superlotação e horários reduzidos, principalmente nos finais de semana. Segundo o universitário Caio Baêta, que mora em Ceilândia e usa o metrô para ir à universidade e se locomover na cidade, os trens frequentemente estão lotados e o metrô passa com intervalos longos nos horários de pico.
Caio também relata que o metrô fecha cedo nos finais de semana e que há problemas técnicos, como o desligamento inesperado dos trens e falhas nas estruturas das estações, como escadas rolantes e elevadores quebrados há meses.
Alerta dos trabalhadores do metrô
Marcos Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF), alerta que o metrô corre risco de parar completamente se os investimentos e contratação de funcionários não avançarem. Ele explica que houve uma redução de aproximadamente 90% nos recursos que deveriam ter sido destinados ao metrô na última década, somando cerca de R$ 1 bilhão em falta.
Marcos destaca que o sistema é complexo e demanda cuidados constantes, além da necessidade urgente de mais funcionários. A falta de pessoal reduz horários de operação e aumenta o intervalo entre trens, especialmente em domingos e feriados, podendo chegar a 30 ou 35 minutos entre cada trem.
O sindicato reivindica a realização de concurso público, pois já são 13 anos sem novas contratações, o que deixa o efetivo reduzido e o serviço comprometido.
Ele reforça que o metrô transporta cerca de 150 a 160 mil passageiros diariamente, o que torna o risco de colapso real e preocupante. O sindicato tem feito denúncias junto ao Ministério Público para chamar atenção para a situação crítica do sistema.
