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sexta-feira, 12/06/2026

Polícia de São Paulo quer usar helicóptero apreendido de 25 milhões

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TULIO KRUSE
FOLHAPRESS

A Polícia Civil de São Paulo planeja pedir à Justiça permissão para incorporar um helicóptero avaliado em cerca de R$ 25 milhões à sua frota. O aparelho foi apreendido durante uma operação nesta quinta-feira (28) em um hangar na cidade de Osasco, região metropolitana.

De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave pertence a uma empresa de aviação sediada em Osasco e é operada pela Center Lopes Distribuidora de Materiais, Terceirização e Locação Ltda., uma empresa de aluguel de veículos.

O registro também revela que o helicóptero está sob alienação fiduciária, uma forma de garantia de pagamento onde a propriedade é transferida ao credor até quitação da dívida.

A Center Lopes tem como sócios membros da família de Eduardo Moreno Lopes, um dos principais alvos da Operação Falsa Las Vegas, que levou à apreensão do helicóptero. A empresa também foi investigada na Falso Mercúrio, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas, estelionato e outros crimes.

Apesar de tentativas de contato por e-mail e telefone durante o dia, a Folha de S.Paulo não obteve resposta da empresa ou dos advogados de Eduardo.

Em dezembro, em nota sobre a investigação da Falso Mercúrio, a empresa declarou que é “regular, transparente e mantém vários contratos voltados à distribuição e comércio de produtos, além de serviços, inclusive ao Poder Público, sempre em conformidade com a lei”.

A reportagem anterior mostrou que a Center Lopes fechou contratos com o município de Barueri que somam pelo menos R$ 15,5 milhões desde 2022.

O helicóptero é um modelo EC 130 T2 da Airbus, fabricado em 2022, pesa 2,5 toneladas e comporta até seis passageiros além do piloto.

Eduardo Lopes é suspeito de atuar no esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a Polícia Civil, beneficiava membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Documentos encontrados em celulares apreendidos indicam transferências bancárias entre empresas ligadas ao tráfico e empresas usadas por Lopes para movimentar dinheiro.

Uma das empresas dele, ASX Participações e Tecnologia, tem sócios vinculados a sites ilegais de apostas.

A Secretaria de Segurança Pública informou que pedirá autorização judicial para usar o helicóptero em ações policiais.

Na operação foram presas duas pessoas, de um total de cinco procuradas, e apreendidos cerca de R$ 500 mil em dinheiro, cinco carros de luxo e 76 imóveis.

Ao todo, a Justiça bloqueou bens e recursos financeiros no valor aproximado de R$ 5,2 bilhões ligados aos investigados.

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