BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS
A Polícia Civil de São Paulo prendeu uma mulher suspeita de torturar e matar vários animais para criar vídeos que eram vendidos na internet para usuários da Europa. A prisão aconteceu em um apartamento no centro da capital paulista.
A suspeita gravava os maus-tratos e comercializava os vídeos em plataformas online, como o Discord. Essa plataforma disse que tem regras rígidas para impedir abuso de animais e outros conteúdos nocivos, usando sistemas fortes de controle.
A mulher foi identificada pela polícia após análise das imagens, onde foram notadas tatuagens e marcas em suas pernas. Ela pode responder pelos crimes de maus-tratos e venda de vídeos violentos.
Os vídeos eram vendidos para pessoas de diferentes países da Europa, custando entre 20 e 50 euros, dependendo do conteúdo. A mulher aparentemente mantinha uma espécie de produtora de vídeos com cenas de crueldade.
O caso começou a ser investigado após uma ONG da Bulgária enviar uma denúncia à Polícia Federal no Brasil. A investigação foi passada para a Polícia Civil de São Paulo e está sendo conduzida pela Delegacia de Crimes contra os Animais.
Segundo a polícia, animais como coelhos, pintinhos e gatos foram torturados e mortos esmagados com os pés. Os investigadores apuram há quanto tempo isso acontecer e quantos vídeos foram vendidos.
Resgate de Animais Víctimas
No início de maio, a Folha de S.Paulo revelou que mais de mil animais foram resgatados no primeiro trimestre de 2026 em São Paulo, em casos ligados a violência contra animais exibida em plataformas digitais, especialmente no Discord.
A polícia nota que o aumento dessas ocorrências reflete o crescimento de grupos organizados que usam a internet para promover violência extrema entre adolescentes e jovens.
Esses grupos usam a violência contra animais para dessensibilizar pessoas e aumentar atos violentos, normalizando esse tipo de conteúdo.
Também usam essas ações para testar limites, incentivar desafios violentos, formar grupos criminais e identificar usuários que querem participar de outras ações ilegais.
Parte dessas atividades acontece em servidores privados do Discord, uma plataforma popular entre jovens, originalmente para comunidades de jogos online.
Segundo as investigações, os grupos organizam transmissões ao vivo, compartilham vídeos de maus-tratos e incentivam práticas criminosas envolvendo animais e até crianças.
A plataforma disse que proíbe abuso de animais e investe em medidas de segurança para evitar esses conteúdos.

