ROGÉRIO PAGNAN E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
Na manhã desta quinta-feira (28), a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deram início a uma operação contra um grupo suspeito de explorar jogos ilegais e lavar dinheiro por meio de uma rede de empresas que movimentou bilhões de reais.
Entre as empresas alvo está a casa de apostas legalizada Aposte Fácil e o site clandestino Black Vegas, que funciona no exterior.
O site ilegal oferece jogos de cassino virtuais, incluindo o popular “jogo do tigrinho” e modalidades relacionadas ao jogo do bicho.
Duas pessoas já foram presas, entre cinco que são procuradas. A operação, chamada Falsa Las Vegas, é um desdobramento da Operação Falso Mercúrio, realizada em dezembro passado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A operação anterior bloqueou R$ 6 bilhões em contas de pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento com lavagem de dinheiro e com o grupo criminoso PCC.
Na fase atual, os bens bloqueados totalizam R$ 5,2 bilhões. Estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão e 17 de busca e apreensão. Um helicóptero de R$ 15 milhões e cinco carros de luxo foram apreendidos, além de R$ 600 mil em dinheiro vivo encontrados em um veículo.
O Ministério Público solicitou o sequestro de 76 imóveis e o bloqueio de bens de várias pessoas e empresas.
A nova investigação surgiu a partir da análise de documentos e materiais encontrados na empresa ASX Participações e Tecnologia, implicada na operação de dezembro.
Foram encontrados cadernos, documentos e conteúdos digitais que mostraram uma estrutura dedicada a jogos ilegais e lavagem de dinheiro por meio de empresas fictícias, contas de terceiros e uso de laranjas.
A empresa Aposte Fácil opera formalmente sob a APF Tecnologia, dando uma aparência de legalidade, enquanto o site Black Vegas oferece jogos proibidos no Brasil.
Os pagamentos eram feitos via Pix e passavam por contas de terceiros para esconder os verdadeiros beneficiários.
As anotações indicam que o Black Vegas foi comprado por integrantes ligados à Aposte Fácil por R$ 1 milhão, valor parcelado segundo registros.
A Aposte Fácil e a ASX têm um sócio em comum e estão registradas em cidades diferentes, Itapevi e Barueri, ambas em São Paulo.
Os documentos indicam que a ASX funcionava como centro operacional do grupo criminoso, responsável por movimentar e ocultar recursos ilícitos.
Foram encontradas anotações sobre pagamentos a influenciadores digitais.
Há indícios de que empresas registradas em nome de terceiros foram usadas para esconder os verdadeiros donos da operação.
O foco da investigação também inclui o Grupo IRKA, liderado pelos irmãos Cristiano Henrique Kamalakian e Carlos Rodrigo Kamalakian, envolvidos na Operação Falso Mercúrio.
O relatório aponta para suspeitas de lavagem de dinheiro e menciona movimentações financeiras ligadas a um réu por assassinato de um delator do PCC ocorrido no aeroporto de Guarulhos em 2024, além de possíveis conexões com membros da facção criminosa.
Segundo investigações anteriores, a ASX faz parte de uma rede de ao menos 11 empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.
Essas empresas teriam firmado contratos e aditivos com prefeituras de São Paulo que somam R$ 522,3 milhões nos últimos quatro anos.

