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sexta-feira, 12/06/2026

Polícia de São Paulo age contra apostas ilegais que movimentaram 5,2 bilhões; suspeito tem ligação com PCC

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A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo estão realizando uma operação para desmantelar um grupo suspeito de operar jogos de apostas ilegais e lavar dinheiro utilizando uma rede de empresas, movimentando bilhões de reais.

Dentre as empresas envolvidas está a casa de apostas Aposte Fácil, autorizada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro, e o site clandestino Black Vegas, que funciona no exterior.

O site Black Vegas oferecia jogos ilegais, como o popular “Tigrinho” e modalidades relacionadas ao jogo do bicho.

A ação, chamada Operação Falsa Las Vegas, é uma continuação da Operação Falso Mercúrio, realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em dezembro do ano passado, que já havia bloqueado R$ 6 bilhões em contas ligadas a pessoas suspeitas de ligação com lavagem de dinheiro e ao PCC.

Na nova fase da investigação, foram emitidos cinco mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão. Também foi pedido o sequestro de 76 imóveis e o bloqueio patrimonial de várias pessoas e empresas, totalizando R$ 5,2 bilhões em bens.

Os investigadores identificaram através de documentos encontrados na empresa ASX Participações e Tecnologia que o grupo criminoso utilizava plataformas distintas: a Aposte Fácil, formalmente registrada com aparência legal, e a Black Vegas, que operava ilegalmente desde o exterior.

Os pagamentos eram realizados via Pix por terceiros, dificultando a identificação dos beneficiários reais.

Documentos indicam que a plataforma Black Vegas foi adquirida por integrantes ligados à Aposte Fácil por cerca de R$ 1 milhão, pago em parcelas conforme registros encontrados.

A Aposte Fácil está registrada em Itapevi, enquanto a ASX, que funcionaria como centro operacional do esquema, está em Barueri, ambas cidades no estado de São Paulo.

Investigações apontam que a ASX é o núcleo financeiro da organização criminosa, responsável por captar, movimentar e ocultar valores ilegais.

Foram encontrados documentos detalhando pagamentos a influenciadores digitais, além de indícios de que empresas registradas em nome de terceiros eram usadas para esconder quem realmente controlava os negócios.

O foco da investigação inclui o Grupo IRKA, liderado pelos irmãos Cristiano Henrique Kamalakian e Carlos Rodrigo Kamalakian, que já haviam sido investigados na Operação Falso Mercúrio.

O relatório aponta suspeitas de lavagem de dinheiro e cita movimentações financeiras relacionadas a um acusado pelo assassinato de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do PCC morto no aeroporto de Guarulhos em 2024, e possíveis conexões com membros da facção criminosa.

A ASX faz parte de uma rede com ao menos 11 empresas suspeitas de lavagem de dinheiro, que somam contratos com prefeituras paulistas no valor de R$ 522,3 milhões nos últimos quatro anos.

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