PATRICIA CALDERÓN
VALÊNCIA, ESPANHA (FOLHAPRESS)
A Polícia Civil enviou um relatório final à Justiça de São Paulo pedindo o indiciamento de seis pessoas na Operação Vérnix, realizada em 21 de maio. Durante essa operação, a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa.
Entre os indiciados estão Deolane, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (ambos presos), Everton de Souza, considerado operador financeiro do grupo, além de dois parentes de Marcola, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho.
A defesa de Marcola, Alejandro, Leonardo e Paloma, representada pelo advogado Bruno Ferullo, afirmou que acompanha o caso e tomará as medidas legais necessárias para garantir os direitos de seus clientes, ressaltando que o indiciamento é apenas um ato investigativo e que não significa comprovação de culpa, respeitando o princípio da presunção de inocência.
Deolane é suspeita de lavar dinheiro do grupo criminoso utilizando uma transportadora de fachada chamada Lado a Lado. A influenciadora nega qualquer ligação com o PCC. A reportagem não conseguiu contato com sua defesa para comentar o indiciamento.
A investigação teve início após identificar uma possível relação entre Deolane e Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como gestor indireto da transportadora Lado a Lado. A defesa dele não foi localizada.
Deolane, em uma carta enviada da prisão, negou envolvimento no esquema e disse ser vítima de perseguição, afirmando: “Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”.
Todos os investigados são suspeitos de participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público pode apresentar denúncia criminal contra o grupo. Na mesma ação, foi pedido o sequestro de carros de luxo apreendidos e a custódia de relógios e joias, que ficarão sob responsabilidade da Caixa Econômica Federal.
A Polícia Civil também solicitou autorização para compartilhar informações da investigação com a Polícia Federal.
A apuração mostra indícios de movimentações financeiras recentes, indicando tentativa de reorganizar empresas usadas para ocultar bens.
O relatório aponta um planejamento detalhado para reorganização do patrimônio do grupo, com concentração societária por meio de holding, ajustes entre empresas associadas e busca de licença para atuar no setor de apostas.
Outro ponto relevante foi a intenção de comprar uma empresa em Dubai, mostrando uma possível tentativa de internacionalizar a estrutura do grupo e receber aporte financeiro estrangeiro.
Para comprovar o vínculo entre Deolane e Marcola, foram anexadas fotos no relatório onde a influenciadora aparece com familiares dele.
O Ministério Público considerou a proximidade entre Deolane e Francisca Alves da Silva, esposa de Alejandro Camacho Júnior, irmão de Marcola, um dos fatores para iniciar a investigação sobre a participação dela na lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o chefe maior do PCC, afirmou que ele não conhece Deolane e manifestou surpresa com a investigação. Segundo a nota, ele desconhece os investigados Deolane e Everton e sua ligação com o caso é apenas familiar com seus sobrinhos Leonardo e Paloma e com seu irmão Alejandro. O advogado reforçou que Marcola nega envolvimento nos fatos e não tem relação, direta ou indireta, com a transportadora citada, além de não possuir a característica “narigudo” atribuída pela polícia.
A investigação indica que a empresa Lado a Lado funcionava como um caixa do grupo criminoso.

