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sexta-feira, 29/05/2026

PMs confundem tripé com arma e matam pedreiros no Rio

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LORENA BARROS
UOL/FOLHAPRESS

Policiais militares que mataram os pedreiros Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, relataram à Polícia Civil que confundiram um equipamento de medição usado na construção civil com um fuzil.

Em depoimento, os policiais envolvidos disseram que confundiram um tripé de medição carregado pelos pedreiros com uma arma de fogo. No entanto, essa versão é contestada pela defesa da família de Marcelo da Cruz Silva.

De acordo com a defesa, o tripé que teria causado a confusão estava dentro da mochila dos pedreiros, enquanto a régua de medição, que mede um pouco mais de um metro, era carregada do lado de fora. A advogada Camilla Guimarães Cristino esclareceu que a régua, usada para nivelar pisos e remover o excesso de argamassa durante a construção, estava pintada de branco e foi recolhida para perícia.

O irmão de Marcelo da Cruz Silva, Márcio da Cruz, foi preso sob a acusação de ter danificado uma viatura após o ocorrido. Ele teve que pagar uma fiança no valor inicial de R$ 10 mil, reduzida posteriormente para R$ 5 mil, para poder participar do velório do irmão.

Segundo a advogada, a família, já muito abalada pela perda, teve de enfrentar sofrimento emocional e despesas financeiras em um momento difícil.

Os pedreiros foram baleados na frente de uma igreja no bairro Jardim Catarina, enquanto a polícia realizava uma operação. Ferreira e Silva foram atingidos por mais de 40 tiros e morreram no local. Moradores da região protestaram bloqueando a BR-101, mas foram dispersados com spray de pimenta.

A polícia apreendeu as armas dos agentes envolvidos, que prestaram depoimento. A Polícia Militar informou que está conduzindo um procedimento apuratório e lamentou as mortes em nota oficial, afirmando que colabora com a investigação.

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