O governo dos Estados Unidos deixou em aberto a possibilidade de uma ação militar contra as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), organizações recentemente classificadas como terroristas pelos EUA.
Após a designação do PCC e do CV como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), o Departamento de Estado dos EUA foi questionado sobre a possibilidade de operações militares contra esses grupos. A resposta oficial foi não conclusiva, destacando que a designação não confere poderes adicionais às Forças Armadas dos EUA.
Um porta-voz da diplomacia norte-americana afirmou: “A designação de uma organização terrorista não confere às Forças Armadas dos EUA quaisquer poderes adicionais que já não possuam” e ressaltou respeito pelas competências do governo brasileiro.
Especialistas apontam riscos à soberania do Brasil diante da ofensiva americana contra essas facções, preocupação compartilhada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Operações e antecedentes na América Latina
Anteriormente, designações semelhantes contra o Cartel de Los Soles, da Venezuela, abriram caminho para ações militares dos EUA na América Latina, culminando na captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desde setembro de 2025, o Comando Sul dos EUA realizou mais de cinquenta ataques a embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico, apontadas como ligadas ao tráfico de drogas rumo aos Estados Unidos. No entanto, o governo do ex-presidente Donald Trump nunca apresentou provas concretas dessas ligações.
Os ataques evoluíram para uma operação direcionada contra a Venezuela, que resultou na captura e deportação de Maduro. Posteriormente, o Departamento de Justiça dos EUA recuou da acusação contra ele.
Situação atual no Brasil
Até o momento, o governo americano sinaliza que as principais ações contra o PCC e o CV devem ocorrer no campo econômico, a partir de 5 de junho. As medidas focarão em bens e interesses das facções nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos norte-americanos.
Além disso, essas sanções podem afetar estrangeiros, como brasileiros com vínculos comprovados com essas organizações, por meio de sanções secundárias.

