Tamara Nassif
Folhapress
Os preços do petróleo começaram o domingo (26) em alta, influenciados pelo fracasso na retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã que estava prevista para o fim de semana.
Embora o chanceler iraniano Abbas Araghchi tenha se reunido com autoridades do Paquistão no sábado (25), o presidente Donald Trump cancelou a viagem dos representantes americanos a Islamabad, capital paquistanesa.
Essa decisão representa um revés nas negociações entre Washington e Teerã, decepcionando os mercados globais que aguardavam o fim do conflito no Oriente Médio, que dura dois meses.
Como reação, o preço do petróleo Brent, referência mundial, subiu 2,2% na abertura, alcançando US$ 107,6 por barril para os contratos de junho.
Na sexta-feira (24), o preço fechou em US$ 105,33, com alta de mais de 16% na semana, refletindo o medo de que os problemas no mercado de energia durem mais do que o previsto.
Os contratos de julho, que se tornaram a nova referência após a troca dos contratos próximos do vencimento, também subiram cerca de 2%, cotados a US$ 101,37.
Essa semana será marcada por decisões sobre taxas de juros do Federal Reserve (banco central dos EUA) e do Copom (Comitê de Política Monetária do Brasil), que se reunirão na quarta-feira (29). Essas reuniões ocorrem em meio às dúvidas sobre o fim do conflito e à pressão causada pela alta dos preços dos combustíveis.
Em 27 de fevereiro, antes do conflito começar, os barris de petróleo eram vendidos a US$ 72. O aumento de cerca de 40% deve-se principalmente ao fechamento do estreito de Hormuz, pelo qual passa 20% da produção mundial de petróleo e gás natural.
Donald Trump considerou a visita dos representantes dos EUA ao Paquistão uma “perda de tempo”. Ele afirmou na rede Truth Social: “Ninguém sabe quem está no comando, nem eles mesmos. Nós temos todas as cartas na manga, eles não têm nenhuma! Se quiserem conversar, é só ligar!”
Os negociadores americanos incluíam Steve Witkoff, encarregado das negociações no Oriente Médio, e Jared Kushner, genro de Trump e responsável pelos interesses empresariais do presidente sem cargo oficial.
Horas após o anúncio de Trump no X, o chanceler iraniano afirmou ter compartilhado a posição do Irã para acabar permanentemente com a guerra, dizendo que ainda resta saber se os EUA levam a diplomacia a sério.
A expectativa por uma nova rodada de negociações gerou movimentos no mercado na sexta-feira. A semana tinha sido marcada por intensas conversas diplomáticas, depois que a primeira tentativa de acordo, liderada pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, fracassou.
Foram 21 horas de negociações que terminaram sem acordo. Os principais desacordos envolvem o destino do estoque de urânio enriquecido do Irã, seu programa nuclear e o controle do estreito de Hormuz, foco da crise energética causada pela guerra.
O tráfego naval pelo estreito diminuiu 95% desde o começo do conflito em 28 de fevereiro.
O Irã afirmou que não negociará enquanto os EUA mantiverem o bloqueio a seus portos. No sábado, o Comando Central dos EUA informou que o destróier USS Pinckney interceptou uma embarcação sancionada no Mar Arábico, obrigando-a a voltar ao Irã.
De acordo com o comunicado, o navio M/V Sevan fazia parte de uma “frota paralela” sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA por transportar bilhões de dólares em produtos iranianos de energia, incluindo petróleo, gás, propano e butano, para mercados externos.
O Comando Central dos EUA declarou que 37 embarcações foram redirecionadas desde o início do bloqueio.
Donald Trump enfrenta forte pressão política nos EUA. Próximo às eleições de meio de mandato, a alta no preço do petróleo levou ao aumento do preço dos combustíveis no país: o galão, que custava US$ 2,98, subiu para US$ 4. Isso tem forçado os americanos a buscar formas de economizar no transporte.
