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segunda-feira, 27/04/2026

Produto sem fumaça cresce e vence cigarro em receita de gigante do tabaco

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EDUARDO CUCOLO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

A maior empresa de tabaco do mundo já obtém mais de 40% de seu faturamento com produtos que não produzem fumaça. O CEO da PMI (Philip Morris International), Jacek Olczak, disse em entrevista à Folha que esses produtos são uma alternativa para diminuir o número de pessoas que fumam e os problemas de saúde causados pelo tabaco.

A empresa oferece diversos produtos como sachês de nicotina para colocar na boca, cigarros eletrônicos (vapes) e tabaco aquecido, que é um tipo de mini cigarro que não solta fumaça. Esses produtos não podem ser vendidos no Brasil e na maior parte da América Latina, mas são permitidos nos Estados Unidos e em algumas partes da Europa.

No Brasil, a PMI fabrica somente cigarros comuns em Santa Cruz do Sul (RS), com marcas conhecidas como Marlboro, L&M e Chesterfield.

Nos primeiros meses de 2026, as vendas dos produtos sem fumaça cresceram quase 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os cigarros tradicionais tiveram aumento inferior, de 6,8%.

Jacek Olczak acredita que o cigarro vai desaparecer em alguns países na próxima década, se a indústria e as autoridades reguladoras trabalharem juntos. Ele cita o Japão como exemplo, onde o número de fumantes caiu pela metade graças à oferta de produtos sem fumaça.

Por outro lado, ele alerta que países como o Brasil, que proíbem esses novos produtos, podem ter aumento no número de fumantes. “Se o Brasil continuar assim, daqui a 40 anos terá mais fumantes do que hoje”, diz o executivo.

Ele critica países que não mudam de estratégia e reafirma que a taxa de tabagismo cresce onde produtos alternativos não são autorizados, em contraste com lugares que permitem esses produtos e veem uma queda rápida no número de fumantes.

O percentual de adultos fumantes no Brasil caiu de 34% em 1996 para 9,1% em 2021, mas voltou a crescer para 11,6% em 2024. Mesmo com esse aumento, o país é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) por seu avanço no controle do tabaco.

A Anvisa proíbe desde 2009 a importação, venda e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar, incluindo cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e vaporizadores. Já o FDA, órgão regulador dos EUA, permite a venda desses produtos, inclusive renovou a autorização para o tabaco aquecido IQOS da PMI neste mês.

O FDA afirma que a mudança completa dos cigarros tradicionais para o IQOS reduz a exposição a substâncias nocivas, mas alerta que nenhum produto de tabaco é seguro. A venda desses produtos nos EUA é proibida para menores de 21 anos.

A OMS, por sua vez, recomenda que todos os países regulem os produtos de nicotina com a mesma rigidez dos cigarros tradicionais, expressando preocupação principalmente com o uso desses produtos por adolescentes.

Jacek Olczak contesta a ideia de que esses produtos são tão perigosos quanto os cigarros. Ele explica que a queima é a principal causadora dos riscos e que a nicotina, embora cause dependência, não é câncer em si. Ele destaca que produtos como sachês, tabaco aquecido e vapes reduzem a exposição às toxinas em até 95%.

‘SE VOCÊ NÃO FUMA, NÃO COMECE’

Jacek Olczak afirma que as estratégias usadas no passado para reduzir o fumo, como aumento de impostos e proibições, não têm sido eficazes, e que oferecer alternativas à nicotina pode acelerar a redução do tabagismo.

Ele diz: “As pessoas não devem começar a fumar. Se começaram, devem parar. Essa é a forma ideal. Mas como isso não está acontecendo, talvez seja preciso mudar a abordagem. Esses produtos são melhores do que continuar fumando.”

Este pensamento está alinhado ao lema da empresa: “Se você não fuma, não comece. Se fuma, pare. Se não parar, mude para produtos sem fumaça.”

Sobre preocupações da OMS e autoridades brasileiras sobre jovens começarem a usar esses produtos, Jacek Olczak garante que isso não se comprovou após dez anos de venda desses itens pela PMI.

Ele afirma que o IQOS é vendido em muitos países e não há evidência de uso significativo por menores de idade.

Jacek Olczak considera que os investimentos da empresa em produtos sem fumaça têm sido um acerto, destacando o montante de US$ 16 bilhões investidos desde 2008, com 99,7% do orçamento de pesquisa voltado a esses produtos apenas no ano passado.

Sobre problemas com cigarros eletrônicos encontrados em algumas pesquisas, a empresa alerta que isso ocorre quando são usados dispositivos ou refis de marcas desconhecidas que possivelmente excedem temperaturas seguras ou contêm substâncias proibidas.

No Brasil, os produtos sem fumaça não são autorizados oficialmente, mas são vendidos ilegalmente. Jacek Olczak alerta que o mercado ilegal é desregulado, os governos não arrecadam impostos e não sabem o que está sendo vendido.

No evento global Technovation 2026, promovido pela PMI nos EUA, Jacek Olczak discutiu avanços em ciência e tecnologia para reduzir os danos do tabaco.

A OMS informa que o número de usuários de tabaco caiu de 1,38 bilhão em 2000 para 1,2 bilhão em 2024, mas ainda um em cada cinco adultos é dependente do tabaco. Em 2025, a PMI tinha 43 milhões de usuários de seus produtos sem fumaça em 106 mercados onde a venda é permitida.

RAIO-X | PHILIP MORRIS INTERNATIONAL

  • Concorrentes: British American Tobacco, Japan Tobacco e Altria Group
  • Fundação: 1847 (estrutura atual da PMI desde 1987)
  • Sede: Stamford, Connecticut (EUA)
  • Funcionários: Cerca de 83 mil
  • Receita líquida (em dezembro de 2025): US$ 40,6 bilhões
  • Marcas no Brasil: Marlboro, L&M e Chesterfield

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