O Brasil foi o país da América Latina que mais aumentou seus gastos militares em 2025, elevando suas despesas em 13%, totalizando 23,9 bilhões de dólares (119,6 bilhões de reais), conforme relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri). No cenário global, os gastos militares somaram cerca de 2,9 trilhões de dólares (14,5 trilhões de reais) no mesmo período.
Este foi o 11º ano consecutivo de crescimento nos gastos militares globais desde o fim da Guerra Fria, impulsionado por múltiplos conflitos e tensões ao redor do mundo, segundo o relatório publicado em 27 de abril de 2025.
Dentre os 40 países que mais investem em defesa globalmente, o Brasil ocupa a 21ª posição, seguido pela Colômbia na 29ª e pelo México na 30ª colocação.
Na América do Sul, a Guiana teve um aumento de 16% nos gastos militares, alcançando 248 milhões de dólares (1,24 bilhão de reais), impulsionado pelas tensões com a Venezuela na região petrolífera de Essequibo. Os dados sobre os gastos militares da Venezuela não estão disponíveis devido à falta de informações públicas.
Enquanto os investimentos globais em armamentos subiram 2,9%, os Estados Unidos apresentaram uma redução nos seus gastos militares. Essa queda, porém, foi compensada pelo crescimento dos gastos na Europa e Ásia, regiões marcadas por guerras e maior tensão política, conforme explicou Lorenzo Scarazzato, especialista do Sipri.
Os Estados Unidos, China e Rússia juntos respondem por mais da metade do total global, com gastos que somam 1,48 trilhão de dólares (7,4 trilhões de reais).
Europa e Oriente Médio
A Europa foi o principal motor do aumento global, com crescimento de 14% nos gastos militares, totalizando 864 bilhões de dólares (4,3 trilhões de reais), influenciada pelo conflito na Ucrânia e pela redução da presença militar dos Estados Unidos na região.
A Alemanha aumentou seus investimentos em defesa em 24%, chegando a 114 bilhões de dólares (570 bilhões de reais). A Espanha elevou seus gastos em 50%, superando 2% do seu PIB pela primeira vez desde 1994, totalizando 40,2 bilhões de dólares (201 bilhões de reais).
Na Rússia, os gastos cresceram 5,9%, alcançando 190 bilhões de dólares (951 bilhões de reais), o equivalente a 7,5% do PIB do país. Já a Ucrânia ampliou seus investimentos em 20%, chegando a 84,1 bilhões de dólares (421 bilhões de reais), o que representa cerca de 40% do seu PIB.
No Oriente Médio, os gastos militares aumentaram apenas 0,1%, totalizando 218 bilhões de dólares (cerca de 1 trilhão de reais). Israel e Irã registraram queda nos investimentos: o Irã teve uma redução de 5,6%, para 7,4 bilhões de dólares (37 bilhões de reais), atribuída à elevada inflação anual de 42%. Em Israel, a diminuição foi de 4,9%, chegando a 48,3 bilhões de dólares (241 bilhões de reais), devido à redução nos conflitos em Gaza, mas os níveis permanecem significativamente superiores aos de 2022.
Atualizações na Ásia e América Latina
Na região Ásia-Oceania, os gastos militares somaram 681 bilhões de dólares (3,41 trilhões de reais), um crescimento de 8,5% em relação a 2024, o maior aumento anual desde 2009. A China continua elevando suas despesas há três décadas, destinando cerca de 336 bilhões de dólares (1,68 trilhão de reais) em 2025.
Na América Central e Caribe, os gastos militares caíram 27% em 2025, totalizando 17,1 bilhões de dólares (85,6 bilhões de reais), apesar de um crescimento de 64% na última década. O México foi o principal responsável pela queda, reduzindo seus gastos em um terço no ano, para 13,6 bilhões de dólares (68 bilhões de reais).
Já na América do Sul, os investimentos em defesa cresceram 3,4% em relação a 2024, atingindo 56,3 bilhões de dólares (282 bilhões de reais), e apresentaram alta de 5,7% em comparação com 2016.
