Uma operação realizada pela 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia Norte, ligada à Polícia Civil do Distrito Federal, desmantelou uma organização criminosa associada à facção carioca Terceiro Comando Puro (TCP). O grupo utilizava estabelecimentos comerciais como fachada para o tráfico de drogas, incluindo a padaria Bella Massa, localizada em Samambaia (DF). Nesta padaria, a mesma balança usada para pesar alimentos também era usada para pesar drogas.
Além da padaria, a facção operava através de distribuidoras de bebidas e quiosques, vendendo drogas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens com um sistema de delivery estruturado por meio de cardápios. Entre as drogas comercializadas estavam crack, cocaína, lança-perfume, haxixe e maconha em variações como skunk e ice.
Para evitar suspeitas, parte das entregas era feita em embalagens de delivery do McDonald’s, o que dificultava o rastreamento pelas autoridades. Os pagamentos eram realizados via Pix para contas bancárias de terceiros, conhecidos como “laranjas”.
Controle e violência
A facção buscava manter influência na comunidade promovendo eventos e financiando festas em datas comemorativas, como o Dia das Mães e o Dia das Crianças, se posicionando como uma falsa provedora. No entanto, as investigações revelaram a ostentação de armas de fogo de grosso calibre pelos integrantes e a realização de limpeza de armamentos em veículos.
Foi constatado também que o grupo impunha punições severas, incluindo agressões violentas a usuários de drogas que ameaçavam seus interesses. Em um caso, um usuário foi espancado brutalmente durante a madrugada. Em fevereiro deste ano, o corpo de um dos investigados foi encontrado boiando no Lago Paranoá, fato que está sob investigação e evidencia a periculosidade do grupo.
Investigações e prisões
- A operação coordenada pela 26ª Delegacia de Polícia recebeu apoio de outras delegacias da PCDF, além do DOE, DOA, Canil e DALOP.
- Cerca de 200 policiais cumpriram 39 mandados judiciais, incluindo 25 de busca e apreensão e 14 de prisão preventiva nas regiões administrativas de Samambaia e Ceilândia.
Os investigados responderão por crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, cujas penas podem ultrapassar 35 anos de reclusão.
