Guilherme Botacini
Brasília, DF (Folhapress)
O Brasil conta com pouco mais de 2 milhões de migrantes e refugiados vivendo no país, dos quais cerca de 415 mil possuem empregos formais, informa um relatório do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). O documento foi divulgado na última quinta-feira (30).
As estimativas do OBMigra para o início de 2026 incluem residentes, temporários, refugiados e pessoas com pedidos de refúgio em análise. Esse número representa menos de 1% da população total do país.
Algumas nacionalidades são destacadas no relatório por terem números significativos e histórico recente, como venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos.
Sobre a migração venezuelana, o relatório aponta que houve uma redução nos pedidos de residência e refúgio nos últimos dois anos, mas isso não garante uma tendência de queda constante devido às incertezas econômicas na Venezuela.
O perfil desse grupo mudou, com aumento no número de mulheres e crianças entre 0 e 14 anos nos dados recentes.
“Independentemente do crescimento ou estabilização dessa migração, o governo brasileiro deve focar na proteção das mulheres e crianças, que são grupos mais vulneráveis e precisam de atendimento específico”, destaca o observatório.
A distribuição dos venezuelanos migrantes já não se limita mais a Roraima, estado fronteiriço por onde chegam a maioria deles. Ações do governo precisam contemplar também outras regiões, como Amazonas e estados do Sul do Brasil.
O relatório também destaca o crescimento da chegada de cubanos ao Brasil. Hoje, estima-se que vivam cerca de 84 mil cubanos no país. Inicialmente, muitos solicitam residência temporária, mas desde 2019 a maioria tem pedido refúgio, superando os pedidos feitos por venezuelanos, com mais de 40 mil solicitações em 2025.
O documento do OBMigra também analisa a presença desses imigrantes no mercado de trabalho, sistema educacional e políticas sociais, incluindo quantos possuem Cadastro Único e recebem benefícios como o Bolsa Família.
Desde 2010, o número de trabalhadores imigrantes cresceu em média 22,6% ao ano, indo de pouco mais de 50 mil para 415 mil em 2025. Porém, o rendimento médio desses trabalhadores caiu de R$ 15,5 mil em 2010 para R$ 4.500 em 2024.
“O aumento da participação de trabalhadores do Sul Global nos empregos formais gerou algumas mudanças na estrutura ocupacional. O primeiro é a concentração de trabalhadores em funções menos qualificadas”, explica o relatório.
“Outra mudança é que alguns trabalhadores com nível superior completo estão empregados em funções de baixa qualificação, refletindo uma possível inconsistência em seu status e resultando em salários baixos”, informa o documento.
No campo da educação, o relatório chama atenção para o aumento significativo de imigrantes no ensino fundamental, com mais de 140 mil matriculados, o que equivale a 62,4% do total. A seguir, vem a educação infantil com 17,2%.
