Drogas eram entregues com pedidos de fast-food e ocultas em fardas do Exército no Distrito Federal. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desbaratou uma organização criminosa durante a Operação Eiron, que agia principalmente em Samambaia e Ceilândia.
A investigação revelou que os entorpecentes, como crack, cocaína, haxixe, maconha e lança-perfume, estavam escondidos dentro de embalagens de fast-food para despistar a fiscalização. Além disso, drogas eram camufladas em fardas militares.
Cerca de 200 policiais atuaram na operação que cumpriu 39 mandados judiciais, entre prisões preventivas e busca e apreensão. A ação resultou da investigação iniciada em outubro de 2025 pela 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).
A facção usava comércios de fachada, como padarias e distribuidoras de bebidas, para armazenar, fracionar e vender as drogas. Em uma padaria, por exemplo, a mesma balança usada para pesar pães servia para fracionar entorpecentes.
A organização criminosa ainda promovia ações sociais para ganhar o apoio da comunidade, como festas e distribuição de cestas básicas, estratégia conhecida como assistencialismo para garantir o silêncio dos moradores.
O símbolo da Estrela de Davi, associado ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ao criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, foi identificado em casas e muros, indicando tentativa de controle territorial e influência de práticas do Rio de Janeiro na região.
Apesar das aparências, o grupo atuava com extrema violência, com registros de agressões severas e execução de usuários de drogas, conhecidos como “tribunal do crime”. Em 2026, um investigado foi encontrado morto no Lago Paranoá, em situação ainda sob apuração.
Os acusados responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, com penas que podem somar mais de 35 anos de prisão.
