Uma ação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), realizada na madrugada desta quarta-feira (6/5), desmantelou uma organização criminosa que atuava em Samambaia com práticas semelhantes às facções do Rio de Janeiro.
A operação, chamada Eiron e conduzida pela 26ª Delegacia de Polícia, mobilizou 200 policiais para desarticular um grupo envolvido com tráfico de drogas e que tentava substituir a presença estatal por uma rede falsa de proteção social.
As investigações iniciadas em outubro do ano anterior mostraram que o grupo financiava festas comunitárias com dinheiro do tráfico em datas como Dia das Mães e Dia das Crianças, distribuindo alimentos, bebidas e cestas básicas. A estratégia visava conquistar a simpatia da comunidade, diminuir as denúncias contra os criminosos e construir um apoio popular para garantir silêncio e impunidade.
Inspirados no Terceiro Comando Puro (TCP), facção carioca rival do Comando Vermelho (CV), os criminosos promoviam ações assistencialistas para manter controle social nas áreas vulneráveis, dificultando assim a atuação policial.
Influência de facção do Rio de Janeiro
Durante a operação, foram cumpridos 39 mandados judiciais, sendo 14 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. Um dado alarmante foi o uso da Estrela de Davi, símbolo do TCP, em muros e residências de Samambaia. Esse símbolo remete ao Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do TCP no Rio de Janeiro, o que indica aliança e influência direta dessa facção na região.
Modus operandi sofisticado
O grupo comercializava variados tipos de drogas, como crack, cocaína, haxixe (“dry”), maconha (inclusive variedades “skunk” e “ice”) e lança-perfume. Utilizavam as redes sociais para divulgar seu “cardápio” de drogas e realizavam vendas por meio de aplicativos de mensagens, com entregas no modelo delivery.
Para evitar desconfianças, os entorpecentes eram escondidos em embalagens de fast-food, simulando pedidos comuns, o que mostrava a adaptação às novas tecnologias e a modernização do tráfico.
Comércio de fachada e lavagem de dinheiro
Estabelecimentos comerciais aparentemente comuns, como padarias, distribuidoras de bebidas e quiosques, serviam para armazenamento e venda de drogas. Em uma padaria, por exemplo, a mesma balança era usada para pesar pães e entorpecentes.
Os lucros eram lavados por meio de transferências via Pix para “laranjas”, dificultando o rastreamento financeiro pelas autoridades.
Violência e tribunal do crime
Apesar da falsa imagem de benfeitores, os integrantes mantinham rotina violenta. Foram registrados espancamentos brutais de usuários de drogas e ostentação de armas pesadas. Práticas típicas de “tribunal do crime” para punir desobediências foram identificadas.
Em fevereiro de 2026, um dos investigados apareceu morto no Lago Paranoá, reforçando o ambiente perigoso dentro da organização.
Consequências legais
Os acusados responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. As penas podem ultrapassar 35 anos de prisão, indicando a gravidade das atividades.
A colaboração da população foi destacada pela PCDF como essencial para o sucesso das investigações.
