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quarta-feira, 06/05/2026

Senado destaca vacinação contra HPV para combater câncer do colo do útero

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Na última terça-feira (5), a Comissão de Assuntos Sociais do Senado discutiu a importância da vacinação contra o HPV como forma de prevenir o câncer do colo do útero, que é a terceira maior causa de morte entre mulheres no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A audiência pública, organizada pelo presidente da comissão, senador Marcelo Castro (MDB-PI), e conduzida pela senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), contou com representantes do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e de diversas sociedades médicas. A senadora chamou a atenção para o crescimento da doença e defendeu a expansão da vacinação, o fortalecimento das políticas públicas e a criação de estratégias eficientes para alcançar a população, considerando que as doenças cancerígenas podem se tornar a principal causa de morte até 2030.

Guacyra Magalhães Pires Bezerra, diretora do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, afirmou que o Brasil está preparado para prevenir essa doença por meio de um rastreamento organizado, incluindo exames que detectam o DNA do HPV oncogênico, com previsão de ampliação para todo o país até o fim do ano.

Roberto de Almeida Gil, diretor-geral do Inca, destacou que o câncer do colo do útero é prevenível e evitável, figurando como o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, enquanto os cânceres do corpo uterino e de ovário ocupam as sexta e oitava posições, respectivamente. Ele explicou que o SUS oferece gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, ambos os sexos, protegendo contra quatro tipos do vírus (6, 11, 16 e 18). Também mencionou a necessidade futura de incorporar a vacina nonavalente, disponível apenas na rede privada, que protege contra nove tipos.

Daniele Assad-Suzuki, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, estimou que o Brasil registra cerca de 17 mil novos casos por ano e apresentou as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para vacinar 90% das meninas e meninos nessa faixa etária. No entanto, a cobertura atual está abaixo de 80% para meninas e 70% para meninos. Ela recomendou retomar a vacinação nas escolas e aumentar a conscientização sobre a importância da vacina quadrivalente, que previne 70% dos casos.

Agnaldo Lopes da Silva Filho, diretor científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, lamentou que a maioria dos diagnósticos aconteça em estágio avançado, resultando em baixas taxas de sobrevivência em países de baixa renda, inferiores a 20%, enquanto esses índices superam 70% em nações desenvolvidas. Marcella Salvadori, coordenadora de Advocacy e Apoio do Paciente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos – EVA, reforçou a existência de desigualdades regionais e a relação com a vulnerabilidade social, destacando a vacinação contra o HPV como uma estratégia essencial, enquanto ressaltou que o câncer de ovário possui alta letalidade e ainda não conta com um método eficaz de rastreamento.

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