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Brasil

PF diz que deputado preso no RJ ameaçou crítico com 12 tiros no portão

Deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela PF (Polícia Federal) no Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (5), durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. • Reprodução/@thiagorangeloficial

ALÉXIA SOUSA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A polícia federal informou que o deputado estadual do Rio de Janeiro, Thiago Rangel (Avante), foi preso por ameaçar uma pessoa que fez críticas a ele nas redes sociais. O deputado teria feito ameaças graves, dizendo que depois de “12 tiros no portão o recado estava dado”.

Segundo a investigação, Thiago Rangel respondeu a um comentário negativo no Facebook, pediu o endereço da pessoa que fez a crítica e disse que “vai dar um jeito” nela. Essas mensagens foram usadas como prova para a prisão, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

A prisão faz parte da Operação Unha e Carne, que anteriormente já havia prendido o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), em dezembro e março.

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A defesa do deputado nega as acusações e afirmou que vai cooperar com a investigação.

As mensagens indicam que Thiago Rangel planejava intimidar o crítico e há outras conversas que mostram o grupo envolvido discutindo ações contra seus adversários, inclusive falando sobre emboscadas e simular ataques para forçar alguém a deixar o trabalho. A polícia vê isso como uma parte violenta da organização.

O deputado era considerado líder do grupo e tinha influência direta em nomeações e decisões administrativas. Em uma mensagem, ele disse: “o deputado sou eu, a indicação é minha e quem manda sou eu”, ao falar sobre o trabalho de uma diretora regional de educação.

Segundo as investigações, o grupo manipulava obras e serviços em escolas públicas, favorecendo empresas específicas para obter vantagens financeiras, e desviando parte do dinheiro.

Fraudes em contratos de educação

A polícia informou que a falta de transparência nos processos facilitou as ações do grupo. A Secretaria de Estado de Educação está revisando procedimentos e colocou limites financeiros para consertos menores, repassando obras maiores para uma empresa pública.

A secretaria também trabalha junto com o Ministério Público e outros órgãos para apurar os fatos.

Dinheiro em espécie e mensagens com maços de dinheiro

Entre as provas, há conversas sobre movimentação de dinheiro em espécie ligadas a Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro de Thiago Rangel. Segundo a investigação, Passos gerenciava recursos do grupo e ajudava a transferir dinheiro desviado, que circulava fora dos bancos tradicionais.

Em um diálogo, há referência a um saque programado, e dias depois, o deputado recebeu uma foto de maços de dinheiro com a mensagem “Guardado…”.

Caixa dois e financiamento de campanhas

A polícia encontrou indícios de que cerca de R$ 2,9 milhões foram usados de forma ilegal em campanhas eleitorais, incluindo a campanha da vereadora Thamires Rangel (PMB), filha do deputado, eleita em 2024. Thamires foi subsecretária estadual de Ambiente e Sustentabilidade no governo Cláudio Castro (PL).

Ligação com grupo político

O documento também revela relação próxima entre Thiago Rangel e o grupo político do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil). Os dois nasceram em Campos dos Goytacazes e são considerados aliados, atuando juntos para dividir a influência sobre contratos, principalmente na educação.

As prisões ocorrem em um momento de mudanças no governo do Rio: o ex-governador Cláudio Castro renunciou e foi substituído por Ricardo Couto, que realizou auditorias e exonerações.

A Alerj afirmou estar à disposição para ajudar nas investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência.

O que diz a defesa

A defesa de Thiago Rangel disse estar surpresa com a operação e que está analisando as provas. Em nota, afirmou que o deputado nega as acusações e vai colaborar com o processo.

Os advogados disseram que a carreira do parlamentar sempre foi ética e que a relação com Rodrigo Bacellar foi apenas institucional. Também afirmaram que é errado tirar conclusões antes de ver todos os fatos.

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