O Ministério da Saúde, em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou um estudo exclusivo que detalha o perfil dos profissionais de odontologia no Brasil. O relatório, intitulado ‘Sociodemografia e Mercado de Trabalho da Odontologia no Brasil’, destaca desafios da área e orienta políticas públicas para melhorar o acesso à saúde bucal.
O Brasil possui 665.365 trabalhadores na área de saúde bucal, incluindo 415.938 dentistas, quase o dobro de outras categorias. A concentração de dentistas é maior no Sudeste, enquanto o Norte tem menos profissionais. Aproximadamente 80% dos dentistas atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando cuidado em regiões mais vulneráveis.
Nas atividades clínicas, predominam as mulheres, responsáveis por 65,5% dos dentistas, 93,8% dos técnicos e 96,4% dos auxiliares. Em áreas laboratoriais, os homens são maioria. Quanto à idade, dentistas e técnicos estão principalmente entre 30 e 39 anos, enquanto auxiliares e profissionais de prótese são, em sua maioria, acima dos 50 anos.
O estudo revela uma ‘pirâmide invertida’ com mais profissionais de nível superior e menos técnicos e auxiliares, o que pode afetar a qualidade do atendimento. Em 2024, existem mais de 166 mil dentistas em atividade, contra 13,5 mil técnicos e 53,9 mil auxiliares.
A formação em odontologia cresceu 617,9% entre 1991 e 2023, com mais de 650 cursos, principalmente privados. No mercado, houve aumento de 11,4% nos vínculos formais em 2023, apesar do trabalho autônomo ser comum. Cerca de 27,6% dos dentistas têm especialização nas áreas de ortodontia, implantodontia e endodontia, especialmente no Sudeste e Sul. Embora haja crescimento no número de especialistas, áreas essenciais para a saúde pública ainda carecem de profissionais suficientes.
Felipe Proenço, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, destacou o compromisso com transparência e uso de dados para guiar políticas públicas. Ele ressaltou iniciativas como o Formatec-SUS, que melhora a qualificação técnica no SUS.
O governo federal reforçou a Política Nacional de Saúde Bucal, Brasil Sorridente, tornado política de Estado pela Lei nº 14.572 de 2023. Em 2024, foi criada a Rede Nacional de Saúde Bucal no SUS para integrar os cuidados. A distribuição de 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOM) foi retomada, com investimento de R$ 152 milhões, beneficiando cerca de 1,5 milhão de pessoas em áreas rurais, quilombolas, assentamentos e comunidades indígenas. Algumas unidades contam com impressoras 3D para próteses personalizadas, totalizando 500 em todo o país.
A rede inclui equipes nas Unidades Básicas de Saúde, Centros de Especialidades Odontológicas, Serviços de Especialidades em Saúde Bucal e Laboratórios Regionais de Prótese Dentária, cobrindo desde prevenção até procedimentos complexos em regiões remotas.
