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sexta-feira, 08/05/2026

Operação mira senador Ciro Nogueira após escutas da PF

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Parte da decisão para a operação realizada em 7 de setembro foi baseada em conversas interceptadas pela Polícia Federal entre Daniel Vorcaro e seus aliados. A operação, chamada Compliance Zero, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária, contra o cunhado do ex-banqueiro, Felipe Cançado Vorcaro, que seria o operador financeiro de uma organização criminosa segundo a PF. A ação também atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL), e um irmão do parlamentar.

Nas conversas, Léo Serrano, apontado como operador de pagamentos, questiona o ex-banqueiro, dono do Banco Master, se deveria continuar custeando despesas relacionadas a Ciro Nogueira.

“- Só uma pergunta rápida… é para os meninos continuarem pagando as contas dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”

A resposta de Vorcaro é afirmativa, e ele ainda pede que o cartão seja levado para a ilha de São Bartolomeu, no Caribe. Em outra conversa, Felipe Vorcaro pergunta sobre o pagamento de 300 mil reais para os investidores do BRGD, empresa ligada a pagamentos ilegais, mas a pergunta não foi respondida. Em seguida, ele insiste: “- É para continuar pagando a parceria brgd/cnlf?”, referindo-se à CNLF Investimentos, empresa do senador Ciro Nogueira que tem suas iniciais.

Vorcaro responde “sim” e destaca que é algo muito importante.

A Polícia Federal investiga que Vorcaro pagava cerca de 300 mil reais mensais ao senador Ciro Nogueira por meio de transferências entre empresas. Em janeiro de 2025, esse valor teria aumentado para 500 mil reais. Felipe reclamou com Daniel sobre os altos valores e Vorcaro, que estava na Venezuela, questionou: “Amigo, em meio a essa crise, atrasou dois meses para o Ciro?“. Felipe confirmou que iria atualizar os pagamentos e perguntou se deveria continuar com 500 mil ou reduzir para 300 mil reais.

Ciro Nogueira entrou na mira da PF inicialmente pela apresentação da “emenda Master”, um projeto do senador que previa aumentar o valor do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil para 1 milhão de reais. Esse aumento beneficiaria fraudes ligadas ao Banco Master, que vendia créditos de baixa qualidade e causou uma bolha no mercado financeiro, afetando investidores. O texto da emenda foi escrito por assessores do Vorcaro.

Raimundo Neto e Silva Nogueira, irmão de Ciro, que administra formalmente a CNLF, foi incluído na investigação e sofreu medidas como o uso de tornozeleira eletrônica e restrição de contato com outros investigados. A decisão judicial também suspende as atividades de quatro empresas ligadas ao esquema: CNLF, BRGD, Green Investimentos S.A. e Green Energia.

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