A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que podem surgir novos casos de contaminação pelo hantavírus, embora o risco de surto ainda seja limitado.
Atualmente, três pessoas faleceram devido à cepa andina do vírus. Uma comissária de bordo da KLM, que apresentou sintomas leves e foi hospitalizada em Amsterdã, testou negativo para a doença, segundo a OMS.
O navio de cruzeiro MV Hondius, com casos identificados de hantavírus, deve chegar às Ilhas Canárias no domingo (10/5). Os passageiros serão retirados em uma operação controlada, gerando apreensão na Espanha.
As autoridades espanholas decidiram que o navio não atracará no porto de Tenerife. Em vez disso, ficará ancorado próximo à costa para diminuir os riscos de contágio. Os passageiros serão transportados para o aeroporto em embarcações de apoio, seguindo um protocolo sanitário rigoroso.
O governo espanhol garante que os passageiros não terão contato com a população local e serão avaliados ainda a bordo antes de desembarcarem. O transporte para o aeroporto será direto e sob supervisão, garantindo um desembarque rápido e seguro.
Fernando Clavijo, chefe do executivo das Ilhas Canárias, afirmou que as medidas buscam proteger a população local. Já a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, informou que todos os passageiros estrangeiros serão repatriados, exceto em casos médicos contrários.
Reação da população e trabalhadores
Moradores e trabalhadores portuários, especialmente em Tenerife, demonstram preocupação com a operação. Alguns portuários manifestaram medo devido à falta de informações claras sobre os protocolos de segurança.
Um grupo de trabalhadores dos portos ameaça paralisar atividades, enquanto o sindicato principal do setor marítimo, “Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar”, apoia a decisão do governo, considerando-a prudente do ponto de vista sanitário.
Conflito político
A decisão do governo central espanhol de receber a tripulação do navio no território gerou tensão com a administração regional das Ilhas Canárias. Fernando Clavijo reclamou de falta de comunicação, enquanto o governo central negou e afirmou ter consultado a região, conforme relatado pela ministra Mónica García.
Em uma tentativa de diálogo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez conversou por telefone com Fernando Clavijo e houve reuniões entre lideranças para alinhar a operação de desembarque.
Além disso, há divergências internas na Espanha sobre a necessidade de quarentena obrigatória para passageiros espanhóis do cruzeiro. A ministra da Defesa, Margarita Robles, defende que a quarentena seja voluntária, enquanto a ministra Mónica García acredita que o Estado tem o suporte legal para impor o isolamento, mas confia no bom senso dos envolvidos.
A Organização Mundial da Saúde segue monitorando cuidadosamente o caso, enquanto a Espanha toma medidas para controlar a situação e proteger suas populações locais.
