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sexta-feira, 08/05/2026

Violência também acontece entre mães e filhos, alerta pastora Helena Raquel

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Anualmente, em Camboriú (SC), ocorre o Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, um evento importante para o movimento pentecostal, reunindo pregadores de todo o Brasil.

Na edição de 2026, realizada entre abril e maio, destacaram-se nomes importantes do evangelicalismo nacional, como o deputado Marco Feliciano (PL-SP) e José Wellington Costa Jr., presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Entretanto, quem causou maior impacto foi a pastora Helena Raquel.

Com 47 anos, nascida em uma família cristã, ela foi uma das oito mulheres entre 61 convidados a falar no evento. Helena relatou que desde cedo escutava pedidos para que fiéis não denunciassem agressores, incluindo abusos contra crianças, com argumentos como ‘não fale para não causar escândalo’ ou ‘ore para Jesus salvar’.

Em sua pregação, ela afirmou que Deus a levou ali para ‘salvar vidas da morte’. Destacou que a violência doméstica atinge as mulheres evangélicas em níveis mais altos que a média do país, e ressaltou a importância de não esconder esses casos.

Helena aconselhou as mulheres a deixarem de orar pelos agressores e começarem a orar por si mesmas, encorajando a denúncia, pois ‘quem agride mata’.

Ela enfatizou que abusos contra crianças não devem ser encobertos, afirmando que pedófilos não são ungidos, mas criminosos, e que não existe ‘pastor abusador’, ou se é pastor ou se é abusador.

No domingo (10), Helena Raquel celebrou seu primeiro Dia das Mães junto com sua filha adotiva Maria Clara, que foi adotada com 18 anos e está com ela há nove meses.

A experiência de maternidade fez Helena refletir sobre o sofrimento causado por mães que protegem homens violentos. Ela recebe muitos relatos de mulheres que enfrentam essa situação através do Instagram, onde tem 1,7 milhão de seguidores.

Um caso marcou sua trajetória: uma mãe angustiada que escolheu não denunciar o marido abusador da filha, acreditando que ele mudaria pela oração. Helena afirmou que essa violência também ocorre entre mães e filhos.

Com mais de 30 anos de ministério pastoral, Helena sabe que sua fala ultrapassou o meio evangélico, recebendo tanto apoios, inclusive de figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e a primeira-dama Janja, quanto críticas de lideranças que consideram seu discurso perigoso para a imagem da igreja.

Um exemplo de crítico foi o pastor Ciro Zibordi, que disse que a fala de Helena poderia ser mal interpretada por feministas, mídia e adversários do Evangelho.

Quando questionada se teve medo de enfraquecer a igreja ao expor suas vulnerabilidades especialmente em ano eleitoral, Helena respondeu que não havia outra opção, pois é mais honesto reconhecer o problema e buscar soluções.

Ela ressaltou que não acusou todos os fiéis, destacando sua própria família evangélica. Para Helena, tratar das dores da igreja não é macular sua imagem.

Mencionou que questões como violência doméstica e pedofilia são problemas sérios que não devem ser tratados como assuntos internos, pois são desafios internacionais sem barreira partidária.

Helena não se importa com rótulos políticos e acredita que líderes e candidatos deveriam focar mais em temas concretos do dia a dia, como fome, desemprego e previdência.

Ela é pastora em Queimados, Baixada Fluminense, e afirma que os fiéis esperam ajuda para suas vidas pessoais, não apenas discussões políticas.

Quanto ao futuro político, Helena considera possível concorrer a algum cargo eleitoral, mas não este ano, respeitando os prazos para filiação partidária.

Prefere ser vista como uma mulher bíblica, aceitando rótulos, seja como progressista ou não, e afirma que não abrirá mão de suas crenças, sempre zelando por temas essenciais na igreja, como a defesa da vida e a questão do aborto.

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