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sexta-feira, 08/05/2026

Homem é encontrado morto no Lago Paranoá e polícia investiga ligação com tráfico

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O corpo de um homem foi localizado nas águas do Lago Paranoá, na tarde de 7 de fevereiro. O achado ocorreu na altura da QL 24, no Lago Sul, em circunstâncias que levantaram suspeitas de execução ligada ao crime organizado.

Após investigações, a vítima foi identificada como Eduardo Benício de Assis, de 40 anos, figura conhecida da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Ele estava entre os suspeitos da Operação Eiron, ação policial que revelou a expansão de uma organização criminosa em Samambaia Norte inspirada em facções do Rio de Janeiro.

Fontes da polícia indicam que Eduardo tinha ligação direta com o grupo criminoso, mas entrou em conflito com outros integrantes semanas antes do desaparecimento. Ele teria se envolvido em disputas internas entre líderes da facção.

O tráfico e o assistencialismo

A investigação revelou que a organização promovia festas comunitárias em datas como Dia das Mães e Dia das Crianças, distribuindo alimentos e cestas básicas com dinheiro oriundo do tráfico. O objetivo era ganhar apoio da população e evitar denúncias, reproduzindo um modelo já usado por facções cariocas.

Um símbolo que chamou atenção na região é a Estrela de Davi, ligada ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, do Rio de Janeiro. Isso indica uma tentativa do grupo de importar táticas de dominação das facções do RJ para o Distrito Federal.

Entrega de drogas por delivery

A quadrilha utilizava tecnologia para vender drogas como crack, cocaína, haxixe, maconha e lança-perfume via aplicativos de mensagens. As entregas eram feitas em modelo delivery, com drogas escondidas em embalagens de fast-food para despistar a polícia.

Comércios locais como padarias e distribuidoras funcionavam como fachadas para lavagem de dinheiro e armazenamento de drogas. Em um caso emblemático, uma padaria servia também como local para separar entorpecentes, usando a mesma balança para pesar pães e drogas. Os lucros eram transferidos por Pix para contas de terceiros para dificultar o rastreamento financeiro.

Violência e tribunal do crime

Embora o grupo tentasse manter uma imagem de benfeitores, a rotina deles era marcada por violência, incluindo espancamentos e circulação de armas pesadas. A polícia encontrou indícios do chamado “tribunal do crime”, usado para julgar e punir membros desleais.

A morte de Eduardo Benício é vista como parte dessa guerra interna da organização. Os suspeitos responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 35 anos de prisão.

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