O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, informou nesta terça-feira (21/4) que os reparos no oleoduto Druzhba, danificado por um ataque russo, foram finalizados e que o sistema está pronto para retomar suas operações.
Especialistas ucranianos estabeleceram as condições necessárias para restaurar o funcionamento do oleoduto e seus equipamentos. Porém, Zelensky alertou que não há garantias contra novos ataques russos que possam comprometer a infraestrutura.
Condições para retomada e apoio europeu
O presidente relacionou a retomada das operações à aprovação de um pacote de apoio financeiro pelo Conselho Europeu. Ele afirmou ter feito sua parte e pediu que os parceiros europeus avancem em novas medidas de cooperação e pressionem a Rússia com sanções mais severas.
Conflito com a Hungria
- O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, bloqueou um pacote de ajuda da União Europeia no valor de cerca de 90 bilhões de euros destinado à Ucrânia, exigindo que o fornecimento de petróleo via Druzhba seja retomado.
- O líder eslovaco, Robert Fico, apoiou essa posição.
- Após a vitória eleitoral do líder oposicionista Péter Magyar, o tema continua sendo central nas negociações.
- Péter Magyar solicitou que Zelensky garanta a rápida retomada do fluxo de petróleo após os reparos, cobrando também que a Rússia reinicie os envios.
Disputa geopolítica e energética
Nos bastidores europeus, o oleoduto se tornou um instrumento de pressão política. Enquanto Budapeste usa o veto financeiro para assegurar seu abastecimento energético, Kiev busca apoio político e financeiro condicionando avanços à cooperação europeia.
Zelensky destacou a necessidade da Europa diversificar suas fontes de energia para diminuir a dependência de países que, segundo ele, tentam enfraquecê-la ou destruí-la.
A retomada do oleoduto Druzhba pode aliviar tensões no curto prazo, mas o futuro permanece incerto devido aos riscos de novos ataques e à complexa disputa que envolve energia, guerra e financiamento internacional.
Energia no centro da crise
Zelensky ressaltou também a importância de garantir o fornecimento de combustíveis para a Ucrânia durante os meses de abril e maio, período marcado por instabilidade global devido à guerra no Irã.
Ele anunciou a preparação de uma reunião internacional chamada “Ramstein da energia”, que visa coordenar esforços para a reconstrução e proteção da infraestrutura energética ucraniana.
O oleoduto Druzhba, um dos maiores da Europa, tem sido uma peça chave nas disputas políticas e econômicas recentes. Países como Hungria e Eslováquia, que dependem fortemente do petróleo russo transportado pelo oleoduto, têm pressionado para que o fluxo seja retomado.
