20.5 C
Brasília
quarta-feira, 29/04/2026

Muitas creches no Brasil têm mais crianças por professor do que o recomendado

Brasília
chuva fraca
20.5 ° C
20.5 °
17.3 °
64 %
2.1kmh
0 %
qua
28 °
qui
27 °
sex
27 °
sáb
29 °
dom
22 °

Em Brasília

ISABELA PALHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Quase metade (46%) das creches no Brasil tem mais crianças por professor do que o correto, segundo os Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil. Essa informação veio de um novo indicador criado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional).

Esse indicador foi divulgado na quarta-feira (29) e traz dados inéditos sobre matrículas na educação infantil em todos os municípios brasileiros. Ele usa informações de 2024 do Censo Escolar e projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os municípios são responsáveis por oferecer vagas em creches para crianças de 0 a 3 anos. Essa fase não é obrigatória, mas toda família que quiser matricular seu filho tem direito a uma vaga, o que não é uma realidade em todo o país.

O Brasil tinha como meta matricular metade das crianças de 0 a 3 anos em creches. Embora a matrícula tenha crescido, o país ainda está longe dessa meta. Em 2016, 31,8% das crianças dessa idade estavam matriculadas. Em 2024, esse número chegou a 41,2%.

Além do número de matrículas, há problemas na qualidade do ensino infantil, como o excesso de crianças por turma.

Dados do Censo Escolar 2025 mostram que só 54% das creches mantêm a proporção de crianças por professor considerada adequada pela idade. A recomendação varia: até 12 meses, 6 bebês por professor; de 12 a 24 meses, 10 bebês; e de 24 a 36 meses, 15 bebês por professor.

Em média, as creches brasileiras têm 9,1 crianças para cada professor, mais do que o dobro da média nos países da OCDE, que é 4,9 bebês por professor.

O indicador também revela desigualdades regionais no acesso e qualidade da educação. Estados com menor cobertura de creches também são os que têm mais turmas com crianças além do limite recomendado.

O Amapá, por exemplo, tem a menor cobertura, com apenas 9,74% das crianças matriculadas, e só 28,9% das escolas têm proporção adequada de alunos por professor.

São Paulo, o estado mais rico, tem a maior cobertura, com 56,83% das crianças matriculadas, mas 34,2% das escolas têm excesso de crianças por professor.

Além disso, em 62% das creches, os professores não têm o apoio de assistentes ou outros docentes.

Ernesto Faria, diretor-executivo do Iede, destaca que “há muita preocupação em aumentar o número de vagas, o que é importante, mas esses dados mostram que também precisamos focar na qualidade da educação oferecida às crianças.”

Nas creches públicas, só 53% têm banheiros adequados, 56% têm brinquedos apropriados e 74% possuem livros adequados para as crianças dessa idade.

Apesar de ainda não ter alcançado a meta de 50% de crianças matriculadas, o novo Plano Nacional de Educação, sancionado recentemente pelo presidente Lula (PT), elevou essa meta para 60%. Também definiu que em cinco anos os municípios devem garantir vaga para todas as famílias que desejam matricular seus filhos.

Veja Também