O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou uma reunião com familiares das vítimas da Operação Contenção, que ocorreu em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação resultou na morte de 122 pessoas, incluindo cinco policiais civis e militares.
O encontro aconteceu no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha, com o apoio da ouvidoria itinerante da instituição. O objetivo foi ouvir os familiares para entender melhor o que aconteceu durante a operação e ajudar nas investigações. Essa ação facilita o acesso à justiça, evitando que os parentes precisem se deslocar até a sede do MPRJ.
Desde o começo das investigações, o MPRJ tem buscado os familiares para esclarecer os fatos e garantir o acompanhamento do caso. A escuta das famílias, que também ocorreu no dia 24 de março, é importante para a investigação independente realizada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), que coleta informações sobre as vítimas e as circunstâncias dos fatos.
A assistente do Gaesp, Laura Minc, destacou que essa iniciativa ajuda familiares que têm dificuldade de ir até o Ministério Público. Já o ouvidor David Faria ressaltou a importância da Ouvidoria como um canal de comunicação com a população e para proteger os direitos humanos.
Dentro da Ação Direta de Fundação de Princípio (ADPF) 635, o MPRJ busca esclarecer as mortes causadas por ações policiais. Após a operação, foram abertos procedimentos investigativos, monitoramento em tempo real e ativação de protocolos. Dados foram solicitados às secretarias de Polícia Militar e Civil, agentes envolvidos foram ouvidos, e perícias foram feitas no Instituto Médico Legal.
O Gaesp, junto com a Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia, produziu relatórios sobre as vítimas e está analisando mais de 3.600 horas de imagens das câmeras corporais da Polícia Militar.
Até agora, o Gaesp e as promotorias da Auditoria da Justiça Militar apresentaram oito denúncias contra 27 policiais militares por crimes como apropriação de armas, furto de peças de veículos, invasão de domicílios, ameaças a moradores, roubo de bens e tentativa de impedir a gravação pelas câmeras policiais.
Para prevenir novos casos, o Gaesp recomendou, em dezembro de 2025, a criação de um protocolo conjunto para operações policiais, com o objetivo de diminuir riscos e evitar mortes. Em março de 2026, sugeriu melhorias no uso das câmeras portáteis operacionais.
